Vidas profanas: matando em nome de Deus

UM - Até finalizar este texto o ataque com bomba e tiros desfechado numa mesquita no Egito contabilizava 305 mortos (cerca de 30 crianças) e mais de 100 feridos, segundo dados oficiais. A mesquita é frequentada por adeptos do sufismo, vertente do islamismo repudiada pelo Estado Islâmico por causa de interpretações menos literais da fé. Os sufistas falam muito em paz, além de crer que o canto e a dança também é um modo de chegar à transcendência.

DOIS – Com esse fato lembrei-me de relatório recente mostrando que conflitos religiosos aumentaram assustadoramente neste século. Há, em pleno terceiro milênio, como no trágico passado da humanidade, matança generalizada em nome de Deus. O espirito das Cruzadas, invasão árabe ao ocidente, a pauleira entre protestantes e católicos prossegue hoje em dia com muçulmanos sunitas e xiitas matando, cristãos e muçulmanos se estranhando em vários locais, budistas e hindus querendo se eliminar mutuamente, judeus e muçulmanos apelando aos céus uns contra os outros. Na última década 104 mesquitas e incontáveis igrejas foram atacadas na Europa, África e Ásia. No Brasil não fomos às mortes, mas os conflitos religiosos só têm aumentado.

TRÊS - Entre as belas realizações dos humanos que saíram das cavernas e chegaram ao Século XXI está, seguramente, a construção do conceito do sagrado. Não foi tarefa fácil! Soltos ao sabor da natureza agressiva e impiedosa, não tinham escolha: morrer ou vencer. Enfrentando o desconhecido que se manifestava pelas marés, eclipses solares e lunares, trovões e furacões, o sol de torrar os miolos ou neve de congelar o sangue, curtindo noites assombradas, feras traiçoeiras, doenças implacáveis nossos ancestrais foram gerando conhecimento que já deveriam ter sido aproveitados para dar fim às nossas mazelas. O conceito de sagrado está no rol dessa herança das cavernas.

QUATRO – E nesse contexto do ataque no Egito encontrei, entre centena de textos, um que aumenta nossa perplexidade: “Em seu infinito amor, Deus, Criador do universo, criou o homem à sua imagem e semelhança, para amá-lo e fazê-lo participar da sua vida divina. Por isso a vida humana é sagrada, pois tem em Deus a sua origem e o seu fim, ela não é fruto do acaso ou de mera evolução física; e portanto, é, também, inviolável porque pertence a Deus, seu criador”. É de se indagar: os caras das cavernas deixaram para a maioria religiosa da humanidade um belo conceito de sagrado por que essa teimosia em profaná-lo?

CINCO – Em meio ao noticiário que aumenta nossa perplexidade ao verificar que continuamos matando impiedosamente nosso semelhante em nome de Deus alguém questionou: “como é possível amar a Deus e detestar os homens”? Em sua caminhada terrena o ser humano descobriu que ele, em vindo do Criador, é algo sagrado e aos quatro ventos alguns tentam pregar tal ideia parece que sem sucesso, eis que nada é tão profanada do que a vida humana. Tudo em nome de Deus, Tupã, Javé, Alá, Jeová, Brahma, Shiva, Devas.

SEIS - Diante desses fatos – que até podem ser definidos como insanos – cabe indagar: para que precisamos dos demônios?

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