1968, cinquenta anos depois

Olhei para o passado e fixei a mente em 1968. Tem 50 anos. O mundo, o Brasil e Passo Fundo fervilhavam e aos vinte anos tudo me parecia desmoronar. Agora se tem a sensação de que foi na semana passada que tudo aconteceu. Os meninos universitários da Europa, Estados Unidos e cá da Pátria amada decidiram botar o mundo de ponta cabeça. E depois daqueles tempos estranhos tudo ficou como estava. Será?

Teve de tudo e gente cheia de sabedoria ainda não entendeu bem o que houve. Há quem diga que a explosão da década de 1960 – na qual o 1968 é emblemático – foi revolta em busca do coletivo, do socialismo, e, outros (estes aparentemente com maio razão), garantem que foi apenas a busca de um novo individualismo.

É fato que sexo, drogas e rock n’ roll vira filosofia de vida, os três elementos são apreciados por jovens da década de 60 e chocaram a América conservadora no Festival Woodstock, em 1969 que fez explodir a cultura hippie. Mas lá, ainda, o negro repensou seu espaço na sociedade e alhures homossexuais e mulheres se organizam por mais aceitação, a minissaia escandaliza conservadores, a guerra no Vietnam é amplamente condenada, os países africanos se movem por independência. Na França, o tal de Maio de 1968 inicia reivindicando dormitório misto nas universidades e se torna protesto que fragilizaria o governo de Charles de Gaulle. Países Suécia e Dinamarca pela primeira produzem filmes e revistas de sexo explícito, as drogas são discutidas como alternativa “para atingir novas dimensões psíquicas”. No Brasil a discussão acalorada se dá em torno de eliminar o costume das meninas precisavam casar virgens.

No Leste europeu oprimido pelo comunismo a Checoslováquia quer se livrar da opressão soviética e Moscou reage, enviando seus tanques, como fizera antes na Hungria, esmagando o movimento em busca da democracia. A Primavera de Praga foi outro movimento de rebeldia importante daquele ano, preconizando a queda do sistema socialista na Europa em 1989.

Ainda no Brasil a fervura passa dos cem graus com a morte do estudante Edson Luís, abatido em março de 1968 pela Polícia Militar do Rio e redunda na Passeata dos Cem Mil. O fato se reflete em Passo Fundo, quando universitários e secundaristas se concentram em frente à Catedral até a policia, de forma polida, mandar dispersar o que é feito após o hino nacional. Pode ser contraditório, mas é desse ano a fundação de uma das instituições pilares para a pujança do município: a Universidade de Passo Fundo.

No País coisa ferve ao ponto da decretação do Ato Institucional número 5 – para alguns um golpe dentro do golpe – que “autorizava o presidente da República, em caráter excepcional, sem apreciação judicial, a: decretar o recesso do Congresso; intervir nos estados e municípios; cassar mandatos parlamentares; suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer cidadão; decretar o confisco de bens considerados ilícitos e suspender a garantia do habeas-corpus.”

Foram tempos estranhos pois por participar de um congresso estudantil botaram quase mil jovens na cadeia, sendo cinco cá de Passo Fundo: o Carlos Alceu, o Gilberto, o Argeu, a Vera e eu. Facilmente nos taxavam de subversivos, nos botavam a lei de segurança nacional goela abaixo, nos obrigavam a gente ir estudar em outro lugar. E ai, como já disse um estudioso da época “por conta da repressão que crescia e as revoltas arquitetadas pelos estudantes tomavam as ruas, e ao mesmo tempo, a “revolução armada” ganhava corpo entre os jovens rebeldes”.

Pensei em 1968 ao visualizar 2018 e constatar que realmente foram tempos estranhos. Tão estranhos que hoje é preciso consertar as bobagens que parte dos revolucionários de ontem fizeram ao chegar ao Poder Central, de modo particular, ao mergulharem na corrupção deslavada que tanto condenavam.

Tão estranhos que mesmo com aquela sensação de que tudo desmoronaria conseguimos um salto tecnológico sem precedentes na história da humanidade. Em síntese é o seguinte: não se assustem se a partir de 2018 novos tempos estranhos brotarem...

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