Enigmas da mente: o conto do bilhete, a utopia e o terror

Ivaldino Tasca, jornalista (itasca@uol.com.br)

Eu tinha uns doze anos quando ouvi pela primeira, no antigo Hotel Maroso, em Palmeira das Missões, localizado na Avenida Independência o viajante comercial contar o causo de cidadão que caíra no conto do bilhete. Sessenta anos depois, todo santo dia, neste Brasil de Deus, tem alguém marchando na mesmo e surrado golpe.

Se é trama tão antiga, tão manjada como ainda funciona? A resposta frequente para tal pergunta é "pela ganancia da própria vítima”. Creio que a ganância tem sua cota de responsabilidade, mas será somente isso, mesmo.

Não sei não, tem mais boi nessa linha.

Tem coisa na mente, no cérebro que faz a gente desafiar a realidade. A gente sabe, reiteradamente, que algo nunca deu certo, sabe que, cansativamente, que nunca vai dar certo mas acabamos fazendo.

Às vezes me pergunto: com quantos enigmas se faz uma mente.

O mesmo cidadão que vocifera sobre a necessidade de democracia é o que apoia as piores ditaduras do Planeta. Na reiteração do conto do bilhete tem a ganância, mas aqui qual o elemento que age para insistir na repetição das tragédias totalitárias? É a pedagogia do barbante? É a filosofia do graveto? É a sociologia da calota?

Todo pensamento Ocidental – ou a parte nobre dele – tem por fulcro, ao menos no discurso teórico, condenar a tirania, reiterar a luta pelos direitos humanos, insistir na inalienável necessidade dos indivíduos serem livre!

Certo? Nem tanto.

Czeslaw Milosz, o polonês com Nobel de Literatura escreveu, em 1951, em Paris, um livro cujo “tema é a vulnerabilidade do pensamento intelectual do século 20 (conto do bilhete?) à sedução pelas doutrinas sociopolíticas e sua presteza em aceitar o terror totalitário pela proteção de um futuro hipotético”.

Lá por 1995 o diretor da revista Comunisme, o francês Stéphane Courtois, delata os crimes de Lenin e Stálin na URSS e diz que os regimes comunistas  instituíram “em momento de grande paroxismo, o terror como modo de governo.” E acrescentou: “... os regimes comunistas erigiram, para assegurar o poder, o crime de massa como verdadeiro sistema de governo”.  E vai fundo: “... o terror foi, desde sua origem, uma das dimensões fundamentais do comunismo moderno”.

Afinal, o que ocorre em nossa mente?

Vinte anos depois desse escrito de Courtois outra experiência do gênero que ele denunciou se esboroa deixando sofrimento para homens e mulheres que sé querem vida digna. Ou seja, a Venezuela navega na opressão e na miséria porque a visão de mundo carcomida por um século de atrocidades veio como algo novo, envolta naquela aura de novidade que ainda cerca o conto do bilhete.

Vinte anos depois em nossa Pátria, uma jovem gaúcha – Manuela d`´Avila – se candidata a presidente pelo Partido Comunista do Brasil.

Ah, sim, outra coisa que Miloz disse: “os homens (e as mulheres, acrescento) se agarram a ilusões quando não há mais nada a se segurar.”

Claro, os enigmas da mente não serão facilmente desvendados, com certeza o conto do bilhete não desaparecerá tão cedo, assim como as utopias continuaram gerando terror indefinidamente. E sempre produzindo efeitos colaterais maléficos. Entre nós um efeito adverso já aparece com nuances assustadoras: Bolsonaro.

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