Especial de 80 Anos do Grupo Diário da Manhã | Pessoas

Uma lenda viva do jornalismo passo-fundense

Uma lenda viva do jornalismo passo-fundense
Foto: Matheus Moraes / DM

Atuando há mais de 60 anos na comunicação, Meirelles Duarte relata a importância do Jornal Diário da Manhã em sua carreira

''Tudo o que eu escrevi e escrevo, ninguém me disse. Eu vi''. A carreira de 64 anos do jornalista Meirelles Duarte diz muito sobre a frase proferida pelo mesmo. Desde 1951 no jornalismo, ele é um dos ícones da área em Passo Fundo. A sua trajetória na comunicação iniciou cedo, quando ainda era coroinha e se pronunciava no auto-falante de uma igreja, em Getúlio Vargas. O jornalista foi pioneiro no Jornal Diário da Manhã, onde noticiou as primeiras crônicas esportivas no veículo de comunicação. Além de jornalista, Duarte é advogado e ex-vereador.

A comunicação faz parte da vida do jornalista há mais de seis décadas. A sua jornada iniciou em 1951, na inauguração da Rádio Vera Cruz, em Getúlio Vargas. Na oportunidade, autoridades da cidade e empresários estavam presentes. Em determinado momento, o técnico da Phillips entregou a chave para os empresários e perguntou: ''Quem vai ser o locutor?''. Segundo Duarte, por ser uma cidade pequena, um olhou para o outro e o silêncio tomou conta. Até que alguém disse: ''Que barbaridade, esquecemos da figura central, o locutor''. Neste momento, o fundador da cervejaria Serra Malte, Plácido Scussel, pediu a voz e em alto tom afirmou: ''Nós temos um locutor. É esse coroinha, que todos os sábados nos tira o sono com essa barulheira. É o único da cidade que tem experiência''. A partir desse dia, Meirelles Duarte começou a sua jornada como locutor de rádio. Em Getúlio Vargas, ele ficou até fevereiro de 1952.

No mesmo ano começou a ligação de Meirelles Duarte com o Grupo Diário da Manhã. Nesta época, o jornal, que possuía quatro páginas, não divulgava notícia de esportes. Essa foi a oportunidade do jornalista mostrar o seu trabalho como cronista esportivo. ''Os senhores Túlio Fontoura e o Major Cordeiro da Silva me chamaram, deram instruções. Uma página interna diária para fazer o que eu quisesse em matéria de esportes. Eu deitei e rolei, fiquei de dono da bolinha'', conta, lembrando o início no impresso.

Meirelles Duarte lembra que não havia páginas de esportes quando chegou a Passo Fundo. ''Não se encontrava de jeito algum. Quando eu entrei como cronista, não tinha mais ninguém. Inclusive, as fotos, eu tirava nos treinos. Pegava o meu gravador de fita e ia em todos os treinamentos do 14 de julho e do Gaúcho. E à noite eu largava o gravador em viva voz na rádio'', comenta.

Com o pioneirismo do jornalista, a comunidade passo-fundense se habituou em ler as páginas esportivas do Jornal Diário da Manhã. Para ter notícia no outro dia, os jogadores do campeonato de futebol amador da cidade encerravam a partida mais cedo para dar tempo de trazer as informações e dar entrevista para o Jornal. ''Se eles me trouxessem as notícias depois do horário, não saía no jornal. O jornal tem que fechar. Às vezes, eles vinham do campo do Gaúcho de chuteira. Davam entrevistas eufóricos com as vitórias'', relata o jornalista.

O sucesso das páginas de esporte do Diário da Manhã quase foram interrompidas, em virtude de uma decisão de Meirelles Duarte. Com pretensões de ser advogado, ele decidiu que precisava começar a faculdade. ''Eu tinha que parar a minha atividade no Diário. Eu não podia fazer tudo, se não faria um péssimo curso'', afirma. No entanto, o fundador do grupo, Túlio Fontoura, não encontrou um substituto à altura do jovem jornalista. ''O Túlio chegou em mim e disse: Meirelles, todo teu serviço vai por água abaixo se tu não continuar colaborando com a gente. Não encontrei ninguém. Tem uns aí que escreveram mal, e tu conhece todos dirigentes, toda a história do futebol de Passo Fundo, jogadores. Então, eu reassumi, mas não me desvinculei com a rádio'', lembra.

E assim, a história de Meirelles Duarte seguiu por décadas. Grato pela sua passagem no veículo, o jornalista conta que a convivência com o quadro de funcionários era de grande importância para ele. ''Sempre me trataram muito bem. Até os entregadores de jornais eram muito meus amigos, eles diziam que as notícias esportivas estavam facilitando a entrega, porque todo mundo queria jornal para ler, principalmente depois dos jogos. O jornal de segunda-feira era uma loucura. Eu acompanhei toda a vida do jornal de 1952 para cá. Tive no senhor Túlio Fontoura um grande amigo'', declara.

Após sair do Diário da Manhã, Meirelles Duarte continuou a sua carreira em outros veículos de comunicação, como cronista esportivo, apresentador e colunista. Conforme o jornalista, outros colegas de profissão que vêm até a cidade não acreditam nas mais de seis décadas dedicadas ao jornalismo. ''Ninguém acredita. Os grandes jornalistas ficam babando quando conhecem a minha história. Sou o único jornalista do Brasil que soma 64 anos de atividade sem parar. Vários jornalistas completam 50 anos de carreira, fazem uma baita festa e anunciam aposentadoria. Eu jamais admitiria isso. Nunca me desliguei dos órgãos de comunicação'', enfatiza.

Meirelles Duarte, sobre o Diário da Manhã:
Vejo com alegria esses 80 anos do jornal. É um jornal que sempre procurou progredir, se modernizar, tanto no setor técnico, com impressoras, composição. Depois se vinculou a atividade de rádio, com as suas emissoras. Então, completou. Só faltou a televisão para eles. Quero felicitar a todos, foi uma escola de jornalismo. O que saiu de jornalistas, que deram seus primeiros passos, nas suas oficinas, máquinas de escrever, é enorme. Tem gente até hoje, em capitais, que deram seus primeiros passos no Diário da Manhã. É uma escola. Vi muitas gerações passando pelo Diário da Manhã. O Diário da Manhã é uma bandeira que nunca parou de tremular. Enfrentou sérias crises, quando Getúlio Vargas se suicidou, o PTB queria incendiar o jornal. Tudo isso foi superado. Eu me sinto orgulhoso em recordar esses belos tempos em que estive lá.

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