Especial | DM Erechim 30 Anos

O 1º secretário do Poder Legislativo, Aldérico Albino Miola

O 1º secretário do Poder Legislativo, Aldérico Albino Miola
Foto: Sara Rubia Comin / DM

No ano em que o Diário da Manhã de Erechim foi fundado, o Poder Legislativo era comandado pelo vereador Wilson Tonin. No dia da inauguração do Jornal, Tonin delegou a representatividade ao 1º secretário da Câmara de Vereadores, Aldérico Albino Miola (PMDB), que junto com o prefeito em exercício Arlindo Madalozzo, descerrou a fita inaugural.

Nesta entrevista ele recorda o momento da inauguração do Diário da Manhã, há 30 anos e revela como o novo jornal foi recebido pelos políticos da cidade e de lá para cá o que mudou na relação da imprensa com a classe. Confira os principais trechos:

Diário da Manhã – Junto com o vice-prefeito Arlindo Madalozzo, você descerrou a fita inaugural do Diário da Manhã de Erechim há 30 anos. No ato representou o Poder Legislativo e à época militava no PMDB. O que recorda politicamente daquele momento solene?
Alderico Albino Miola - Acredito que o então presidente do Legislativo, o atuante e dedicado vereador Wilson Tonin, me delegou a representação do dia 22 de fevereiro de 1986, na razão de que naquela data eu comemorava meu 42º aniversário. De tal sorte que da parte do Executivo, encontrava-se no exercício da função Arlindo Madalozzo, meu dileto companheiro de ginásio do Colégio Medianeira nos anos 60, uma vez que como vice-prefeito eleito, substituía o prefeito Jayme Lago, que na ocasião estava gozando de férias. A Câmara de Vereadores era constituída de 19 vereadores. Era período de surgimento de novos partidos, em sua composição inicial nove vereadores eram do PDS em 1982, mas naquele ano surgia o PFL, que recebia Jayme Lago, que levou consigo cinco vereadores, o Neri Gasparin, o Armando Grando, o Luiz Felipe De Marchi, o Ivo Nazzari e o líder do governo, Claudio Grasel. Eram remanescentes do PDS Celso Alves Machado e Argeu Vilgar Marques Garcia. O PDT, que havia elegido três vereadores Guilherme Barp, Terezinha Peccin e João Tormen, recebeu o vereador Elidio Cervo. Já o PMDB mantinha sua formação de 1982, com Aristides Agostinho Zambonatto, Helly Parenti, Luiz Frizzo, Luiz Tirello, Alérico Albino Miola, Ibanor Morandin e Luiz Dalla Costa. Registro que a eleição de 1982 foi um pleito suis generis, uma vez que o eleitor teve que votar para escolher governador, senador, deputado federal e estadual, prefeito e vereador. Foi a última eleição em que havia sublegenda na majoritária e o mandato municipal fora estendido para seis anos. Concorrem 102 candidatos a vereador, sendo cinco mulheres. Neste período ditatorial, prenunciava-se a abertura democrática com o movimento das Diretas Já e a Emenda Dante de Oliveira. Tancredo Neves acometido de diverticulite veio a falecer. Seu vice-presidente, Jose Sarney, assume o governo brasileiro, o passo mais importa a seguir seria a Constituinte de 1988. Tenho lembranças saudosas da época. Bancada combativa, movimentada pela experiência de Zambonatto, Parenti, Frizzo, lideranças históricas de Erechim, que havia sub existido à Revolução Redentora de 1964. Tirello, Morandim, eu e Dalla Costa estávamos no segundo mandato. Aprendíamos a cada sessão os meandros sinuosos da época, como medir as palavras e ações, uma vez que o regime vivido era de exceção. O prefeito Jayme Lago harmonizava a importância dos poderes, usando sempre de sua maior virtude de articulador, buscando o apoio destes que pensavam no crescimento da cidade, e obteve êxito na sua administração, uma vez que as questões ideológicas e pragmáticas eram discutidas e resolvidas no Plenário da Casa do Povo, e os programas de governo eram esmiuçados por todos os vereadores que se faziam presentes.

DM – Como os políticos receberam o novo jornal da cidade?
Miola – As lideranças políticas e comunitárias da cidade neste período obscuro da democracia, que eram destaque no cenário de um modo geral, e nossos representantes eleitos eram em 1982, Paulo Mincarone e Celso Testa (PMDB). Marino F. de Andrade, Afonso dos S. Taques e Firmino Girardello, nossos secretários de Transporte do Governo Jair Soares. Na Acie estava Jandir Cantele, na CDL Francisco Franceschi, na Cotrel Arno Magarinos. O meio político com a chegada do novo jornal ficou engalado e agradecido com a vinda do Dr. Dyógenes e Pericles para inauguração de mais um periódico de sua organização cinquentenária, que também objetivava integrar a região, como de fato o fez. Os incrédulos e descrentes passaram a ter mais um meio de comunicação que buscava incessantemente, e suas edições comprovam isso, divulgar cada quadrante do Alto Uruguai. Um de nossos ícones do jornalismo, o saudoso Juarez Miguel Illa Font, com sua formação acadêmica saboreava o sucesso de sua iniciativa. O prefeito em exercício, Arlindo Madalozzo, quando do corte da fita simbólica, asseverou que a chegada de um veículo da organização tradicional e familiar vinda de Passo Fundo, iria acrescer informações, notícias, conhecimento e expressaria sempre que possível o pensamento de todas as liberdades, especialmente, a da imprensa como a mais necessária e a mais conspícua, que reina entre as demais pela sua natureza, com a dignidade inestimável de representar todas as liberdades. As expectativas foram logo superadas, porque o que se fazia necessário, nesta oportunidade tão alvissareira, era que o novo jornal fosse um instrumento de paz, progresso e desenvolvimento, crítico na hora da verdade e fiel a sua história. Com certeza, o Diário da Manha superou as expectativas.

Por razões outras, do conhecimento de meus conterrâneos, do povo da terra que me viu nascer e crescer, tive um hiato involuntário de minha parte, e por decisões judiciais a que fui submetido, mas devo confessar que até 2002, quando fui cassado, reconheço como de vital importância os meios de comunicação, o falado e o escrito, este com a singularidade de registro no papel, como diziam meus antecessores de família, palavras voam, escritos permanecem. Neste contexto, a tarefa difícil de agradar a todos não pode fazer parte de alguém isento, que age com lisura até porque toda a unanimidade é burra. É preciso que tenhamos presente os princípios éticos e os compromissos dos jornalistas com a verdade, doa a quem doer, preservados os direitos de resposta que nunca foram negados a ninguém. Mais do que nunca, uma imprensa presente com profissionais competentes sedentos de notícias, uma vez que a velocidade com que os fatos surgem o poder político tem que reverenciar os meios de comunicação, que em boa parte do tempo aponta e indica um norte para que possa continuar avançando na senda das realizações em todas as áreas, que compõem o nosso Universo. Sendo um formador de opinião, com sua fiscalização, muito contribui para o crescimento dos setores produtivos, melhora a qualidade do serviço público e atualiza a sociedade permanentemente.

DM - O que acredita que mudou na relação da imprensa com os políticos de lá para cá?
Miola – O papel dos órgãos de comunicação, neste período, foi além de instrutivo, pedagógico. Ajudou concretamente a população a entender as mudanças constantes que foram incrementadas com um leque de planos econômicos, mudanças de moeda, cruzeiro para cruzado, cruzado novo e real. Os feitos de Dr. Sérgio Benito Maccagnini, Dr. Nilson Zaffari, Carlos Fasolo, Dércio Nonemacher, que iniciaram um movimento abrangente solicitando a municipalização da saúde; o de Carlinda Poletto Farina e Paulo Farina, que davam sequencia com uma vitalidade fora do comum para o reconhecimento da Mulher Camponesa como trabalhadora rural, justificando o trabalho insano do cotidiano da Previdência Social, que embora não fosse do seu agrado, acatasse a decisão da Câmara Federal, e a partir de então foram obrigados a conceder aposentadoria às camponesas, hoje são cerca de 4.800 aposentadas em Erechim, eram anunciados no jornal e por meio dele chegavam ao conhecimento da população. Penso que a soberania de um povo com sua democracia renovada a cada momento, mesmo na turbulência, mas em que sua plenitude necessita de uma imprensa livre e independente.

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