Especial | Erechim 98 anos

Erechim para cantar e fazer história

Erechim para cantar e fazer história
Foto: Arquivo Pessoal

O destino e a música trouxeram Gildinho e sua gaita à Capital da Amizade, onde construiu sua carreira e compôs entre outras letras a que se tornou o hino nativista da cidade

O destino era Clevelândia, no Paraná, mas no meio do caminho tinha Erechim. Era junho de 1966, quando Nésio Alves Corrêa – O Gildinho do Grupo Os Monarcas, deixou Campo Bonito no interior de Soledade aos 22 anos. “Peguei um ônibus de Marau direto a Chapecó e cheguei lá de noite. Parei no hotel da rodoviária. Era uma noite muito fria. Ao chegar no quarto achei estranho não ter forro na cama e nem fronha no travesseiro e dormi de roupa e tudo. De tão frio até a dentadura superior frouxou. Mais grosso que dedo destroncado só fui reclamar para o recepcionista no dia seguinte e foi quando passei uma vergonha danada, porque ele chamou a camareira e ela disse com toda a tranquilidade que os lençóis e as cobertas estavam todos no guarda-roupa”, relata.

Já no hall do hotel, enquanto esperava o próximo ônibus, Gildinho pediu autorização para tocar gaita. Foi aí que o dono da Rádio Chapeco à época se engraçou no músico e o convidou para tocar à tarde no programa de um tal de Roque. “Fui e como não sabia falar direito, tudo virou música. Toquei o programa inteiro, uma hora de música. Um gaiteiro de Tope da Serra me ouviu tocando e pediu o que fazia por ali. Contei que estava indo a Clevelândia, na casa de um tio. Aí ele me disse que seu pai tinha um hotel em Tope da Serra e me convidou para tocar um baile com ele no sábado, em Erval Grande. Aceitei o desafio, fiquei no hotel do pai dele e ainda ganhei uns trocos”, diz.

Gildinho conta que, de repente, apareceu um vendedor de rádio de Erechim, o Genuíno Pazetti. “Ele me convidou para ir a Erechim tocar gaita. Aceitei o convite e vim de carona com ele. No dia seguinte me apresentou para a dona de uma boate famosa localizada no Bairro Aeroporto. Mas na época eu sabia só tocar música do Teixeirinha, Ademar Silva e Irmãos Bertussi e não bastava esse repertório para o local. Foi aí que conheci o professor de violino da Escola de Belas Artes Osvaldo Engel, Paulo Kameneff, que me ajudou muito me ensinando músicas próprias do ambiente”, comenta.

Nem tudo são flores na vida de Gildinho, mas graças à família e aos amigos que encontrou no caminho, superou cada desafio. “Eu saí ‘fugido’ de Soledade porque engravidei uma guria quando já estava noivo da minha esposa Santa. Mas quando comecei a tocar na Rádio Erechim me descobriram pela voz, e a polícia veio me buscar. Aí fui tocar gaita no presídio. Essa história faz parte da minha vida e tenho orgulho da minha filha Mari, que é professora na Universidade de Passo Fundo”, assegura.

Conforme o músico, ele foi condenado à revelia por não ter comparecido às audiências e pegou ‘no lombo’ três anos de reclusão em regime fechado. “Quando cheguei à Delegacia de Polícia me disseram que eu tinha duas opções: casar ou ser preso. Escolhi a prisão por mim e pela minha noiva, que amava. Neste tempo o filho do juiz Aimoré dançava na invernada CTG Marciano Brum, de Soledade, e fui requisitado para tocar nos ensaios da invernada. Aí eu me dei bem. Ia escoltado por um soldado, terminava o ensaio e eu voltada para a cadeia. Meu compadre Danilo arrumou para eu estudar música e saia do presídio por uma hora para a aula de música. Fui pegando amizade e de vez em quando o juiz me liberava para ir pra casa. Teve uma vez que fiquei 14 dias em casa, mas daí o pai da moça reclamava no Ministério Público e o promotor mandava me prender de novo até que fui beneficiado pelo indulto depois de ter cumprido um ano e três meses da pena. Como eu tinha vínculo de amizade em Erechim, voltei pra cá e aqui estou há 48 anos”, conta.

O casamento com Santa foi em Soledade, mas logo Gildinho alugou uma casa e trouxe sua Santa para Erechim. Costureira ela começou a trabalhar na nova cidade e logo fez clientela, e ele seguiu tocando bailes no interior. “Não falhava um sábado e começou a entrar dinheiro, aí vieram os filhos. O primeiro, um menino, teve problema no parto e durou apenas 11 dias de vida. Foi um desespero! Passou um tempo e Santa engravidou de gêmeos. Eram dois guris. Um durou 20 dias e outro 30. Outro desespero! Mas Deus é quem sabe e um tempo depois nos presenteou com a chegada da Sandra, que trabalha no Ministério Público em Porto Alegre e será homenageada segunda-feira. Minha outra filha, a Gisele está cursando o segundo ano de Medicina na Argentina. Está também muito bem e pelas notas ganhou bolsa de estudos”, revela todo orgulhoso.

Ao contar um pouco de sua história, Gildinho tem certeza que Erechim era e continua sendo o seu destino. “Sou muito feliz aqui onde estou há 48 anos e vim para tocar gaita. Minha gratidão à comunidade e à imprensa que me apoiou em todos os momentos. Sou erechinense, apesar da minha terra ser Soledade. Foi aqui que junto com o cantor Leonardo compus letra da música Erechim, História e Canto, que se tornou o Hino Nativista de Erechim. Por iniciativa do então vereador Celso Machado ganhei o Título de Cidadão Erechinense. Tenho o maior apreço por esta terra porque foi neste chão que conquistei tudo que tenho”, reconhece.

Um dos ícones da música gaúcha, Gildinho afirma que foi muito bem recebido por todas as pessoas com quem conviveu quando chegou a aqui. “Erechim é tudo para mim. Devo minha carreira a essa cidade. Estou muito feliz em viver na Capital da Amizade e se Deus me der saúde vou fazer ainda muita coisa por Erechim porque quero ver ela cada vez mais evoluída. Mas o momento é de comemorar pelos 98 anos desta bela cidade, parabenizar todos que ajudaram a construí-la até aqui, os prefeitos, em especial Eduardo Pinto, Artistides Agostinho Zambonatto, Eloi Zanella e o Polis e a Ana. Quando Erechim completou 50 anos foi realizado um show na praça e a atração maior era um exímio violonista da cidade de Bagé. Depois deles vinham os Prata da Casa e eu me apresentei sozinho com a gaita. Me considero um homem de sorte e minha estrela sempre brilha porque onde me apresento sempre sou aplaudido. Estudei música por causa Honeyde Bertussi. Foram sete anos de estudo na Escola de Belas Artes onde aprendi muito. Todo mundo sabe que até hoje não falo direito e nem escrevo, mas tenho a escola do mundo”, completa.
 

Erechim, História E Canto.
Os Monarcas
Compositores: Leonardo/Gildinho

Desbravando novos mundos os Birivas
implantaram novo jeito de viver
paiol grande foi um marco de esperança
de fartura, de progresso, de prazer
não importa se o campo era pequeno
a grandeza do sentir calou mais fundo
e o amor pelo trabalho fez estradas
boa vista, rumo certo, novo mundo.

Quem passar pelo planalto com certeza
ao olhar para a mais bela natureza
há de ver campos de mel de guamirim
vai provar o mate da hospitalidade
vai levar no coração uma saudade
e a vontade de voltar pro Erechim.

Erechim dos meus amores e saudades
tem a festa nacional do chimarrão
os gaúchos usam botas amarelas
simbolismo colorido pelo chão
no passado lenços brancos e vermelhos
degladiaram ideais de liberdade
hoje a chama desse amor está presente
em nosso lema paz e prosperidade.

Quem passar pelo planalto com certeza
ao olhar para a mais bela natureza
há de ver campos de mel de guamirim
vai provar o mate da hospitalidade
vai levar no coração uma saudade
e a vontade de voltar pro Erechim.

Quem passar pelo planalto com certeza
ao olhar para a mais bela natureza
há de ver campos de mel de guamirim
vai provar o mate da hospitalidade
vai levar no coração uma saudade
e a vontade de voltar pro Erechim.

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