Especial | Passo Fundo 158 anos

No cenário do golpe civil-militar

No cenário do golpe civil-militar
Foto: DM

Talvez não com a mesma intensidade dos grandes centros, mas Passo Fundo também foi marcada pelos anos de chumbo, chegando a ser sede do governo estadual durante três dias

Pólo em saúde e educação, com um comércio consolidado, Passo Fundo é destaque no Rio Grande do Sul. E não é de hoje: a história conta que a cidade já está nesse mapa há décadas e, inclusive, já chegou a ser sede do governo do Estado. Esse é um fato pouco lembrado em livros, mas estudado por pesquisadores e nunca esquecido por quem, ainda na época, ouviu falar.

Era 1º de abril de 1964 quando o então governador Ivo Meneghetti e alguns membros do executivo estadual deixaram Porto Alegre. Essa ação, conhecida como parte da Operação Farroupilha, foi desencadeada pela agitação que o país enfrentava com a crise política nacional, culminada com a derrubada de João Goulart por um movimento civil-militar de caráter reacionário. Foi um dos acontecimentos iniciais do período conhecido como Ditadura Militar, que durou 20 anos.

O 2º Batalhão de Polícia da Brigada Militar, no antigo quartel, foi a concentração de Ildo por apenas três dias. No dia 3, quando o golpe se consolidou nacionalmente, João Goulart havia fugido para o Uruguai, o deputado federal e líder trabalhista Leonel Brizola estava desaparecido e o prefeito da capital, Sereno Chaise, também trabalhista, foi preso, ele retornou ao Piratini.

Essa, no entanto, não foi a única experiência do regime. Se em cidades pequenas as pessoas que viveram os anos de chumbo não recordam do abuso de autoridade, em Passo Fundo, é diferente. O que veio após 1964 causou temor, sobretudo a partir da promulgação do Ato Institucional de número 5. Quem fosse contrário à Doutrina de Segurança Nacional (DNS) e às determinações do Departamento de Ordem e Política Social (DOPS) era submetido a punições, que incluíam violência física, prisão e desaparecimentos nunca explicados.

Com a liberdade de expressão cerceada, artistas e veículos de comunicação, formadores de opinião, tinham duas opções: não construíam aquela realidade pela incerteza do que poderia acontecer ou assumiam os riscos. O que chama a atenção de estudiosos é que, mesmo com o rigor com o qual os jornais funcionavam, os dois veículos impressos do município não fecharam as portas. Fundado em 1935, o jornal Diário da Manhã prestou inúmeros esclarecimentos sobre publicações “perigosas” aos apoiadores do golpe e muitos jornalistas precisaram explicar os seus textos.

Conforme o historiador e escritor Marco Damian, os estudantes também viveram momentos de medo. “Lembro de um fato que me marcou. Em 1971, eu era estudante e uma professora de música, que não lembro o nome, distribuiu para os alunos a letra, em papel mimiografado, da música de Geraldo Vandré "Pra não dizer que não falei das flores", que era uma música de protesto contra o regime e a sua execução havia sido proibida. Num pequeno toca-discos, ela colocou tocar a música e nós, com a letra nas mãos, cantamos duas ou três vezes. No dia seguinte, o papel com a letra foi confiscado pela direção e a professora sumiu. Nunca mais a vi na escola ou mesmo nas ruas”, relembra.

O movimento se utilizou da justificativa que deixaria o país livre de uma ameaça comunista e da corrupção. Desde o início, procurou se institucionalizar, tirando do caminho, com a cassação de mandatos, políticos que tinham envolvimento contrário. Com ele, a partir de 1965, foram permitidas somente duas associações políticas nacionais: a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), a sustentação civil do regime, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), a oposição regrada e tolerável.

Damian destaca que, quando o governador Meneghetti chegou em Passo Fundo foi recebido pelo prefeito Mário Menegaz, eleito em 1963. A Arena estreou em eleições diretas para prefeitos e vereadores em 1968. “Em 1968, foi eleito o médico Cesar Santos, pertencente ao antigo MDB. Em 1972, a Arena, elegeu o Coronel do Exército Edu Villa de Azambuja. Em 1976, o MDB voltou a comandar Passo Fundo, através do Prefeito Wolmar Salton”, analisa.

Em 1974, em nível nacional, o MDB se engrandeceu eleitoralmente, o que foi resultado de situações como a crise econômica que corroía a base social de apoio aos militares, os grupos de esquerda armada que, derrotados, passaram a apostar na luta democrática, o apoio do movimento estudantil, para quem a legenda reservou um espaço próprio dentro da sua estrutura. O partido ganhou a notoriedade de uma legenda combativa. Em 1979, sob pressão política, foi sancionada a Lei Orgânica dos Partidos Políticos, trazendo o pluripartidarismo.

O MDB deu origem ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). A Arena levou ao Partido Democrático Social (PDS). Iniciava-se, assim, a transição rumo à democracia e o surgimento de novos partidos. “Em 1982, os ares da democracia davam as caras e o prefeito eleito foi Fernando Machado Carrion, do PDS. Em 1988, o PDT, que tinha suas raízes no antigo PTB e no MDB, elegeu Airton Dipp. Na eleição mais acirrada da história da cidade, em 1992, o PDT com a certeza que faria a sucessão, foi frustrado por míseros 65 votos, perdendo para o PMDB, de Osvaldo Gomes. E, Osvaldo Gomes fez seu sucessor, em 1996, elegendo seu vice, Dr. Julio César Teixeira. No ano 2000, Osvaldo Gomes retornou ao Paço Municipal, desta feita pelo partido PFL”, elenca o historiador.

Em 2004, ocorreu o retorno de Airton Dipp à Prefeitura Municipal, e, com o advento da reeleição para os cargos do Poder Executivo, Dipp, se reelegeu em 2008. Por fim, em 2012, o Deputado Estadual Luciano Azevedo conquistou a vitória, concorrendo pelo PPS.

Para Damian, na política nacional, não há resquícios de regime militar. O exercício de democracia está consolidado. No entanto, o que instiga é que, mesmo ele sendo recontado inúmeras vezes, com suas facetas de violência, censura e reacionarismo, parte da população, insatisfeita com os escândalos financeiros, pede por sua volta.

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