Especial | Passo Fundo 158 anos

De irmão e irmã, para alunos e alunas

De irmão e irmã, para alunos e alunas
Foto: Matheus Moraes / DM

Tradicionais na educação de Passo Fundo, os colégios Notre Dame e Marista Conceição só recebiam alunos de um sexo até a década de 70

A educação é uma das áreas que mais cresceram em Passo Fundo nas últimas décadas. Entre tantos colégios e Universidades, duas escolas de Ensino Infantil, Fundamental e Médio passaram por inovações ao longo de sua história. O Colégio Marista Conceição, guiados por irmãos, e o Colégio Notre Dame, doutrinado por irmãs, fazem parte da tradição no jeito de educar e formar o cidadão passo-fundense.

O Colégio Notre Dame foi fundado em 1923 em Passo Fundo. A chegada da academia atendeu a demanda de crianças femininas, porque o município ainda não possuía um colégio específico para meninas. A ordem do Frei, direto da Alemanha, fez com que a congregação de irmãs viesse ao Brasil, precisamente em Passo Fundo.

Parte da história de 92 anos da escola na cidade, a irmã Mirtes Helena Roman começou os estudos no Colégio Notre Dame em 1961. Ela presenciou a época em que o colégio possuía somente alunas e professoras nas salas de aula, de acordo com os registros da instituição. Do primário até o ginásio (o atual ensino médio). A irmã esclarece que a opção era cultural, uma tradição a ser seguida. ''O Notre Dame priorizava meninas, como também professoras, não tinham homens na escola durante a dé cada de 60'', afirma.

Naquele tempo, Notre Dame e Conceição eram consideradas as principais escolas em Passo Fundo. Entre o final da década de 50 e o início de 60, o Colégio Menino Jesus surgiu como um centro educacional pequeno, para receber os filhos dos funcionários dos ferroviários da cidade. Nascia ali outra escola com o mesmo formato às das irmãs. A diferença, entretanto, era que cada colégio seguia a sua linha própria. ''Nessa época o Menino Jesus também só recebia meninas, mas havia uma independência, uma escola era diferente da outra'', relata.

A mistura dos meninos com as meninas
Com o passar dos anos, as mudanças tomaram conta. A partir da década de 70, o ingresso de meninos no Notre Dame já era realidade. Segundo a irmã Mirtes Roman, o processo aconteceu gradativamente. ''Os garotos surgiram nessa década (70), no segundo ano do primário, nós encontrávamos quatro meninos. Mais adiante, no quinto ano do primário, seis ou sete. O aspecto do masculino e feminino foi surgindo aos poucos'', explica.

O final da distinção entre sexo masculino e feminino fez com que a tradição do Marista e do Notre Dame fosse interrompida e seguisse o modelo de outras escolas passo-fundenses. ''Existiam escolhas públicas que misturavam alunos e alunas, mas o Notre Dame só tinha meninas e o Conceição, meninos'', declara. A modernidade, segundo ela, foi um dos principais fatores para essa alteração. ''Depois da década de 70 o mundo foi evoluindo, veio a modernidade, e tudo isso transforma um novo contexto social. Anos depois, veio a tecnologia para reforçar isso'', acrescenta.

O Notre Dame oferecia o internato para crianças vindas do interior. Um dos grandes potenciais da região, o trabalho rural exigia que fazendeiros deixassem as filhas na instituição. No momento em que o trabalhor deixava a porta da escola, a responsabilidade estava na mão das irmãs. A formação como pessoa era obtida por meio do estudo e do zelo que as jovens recebiam. O internato, extinto na década de 90, desenvolvia aulas de música e artes, para que as estudantes tivessem uma formação ampla e qualificada. Além, claro, das matérias tradicionais.

A vez das meninas na escola masculina
Por trás dos seus 94 anos, o irmão Victor Rossetto vivenciou grande parte da história do Conceição. Com duas passagens pela escola - a primeira em 1948 e o retorno em 1989 -, ele é um ícone para a direção, professores, funcionários e alunos. O secretário recebe diariamente as crianças no portão antes da aula iniciar, tanto no turno da manhã quanto à tarde.

Diferente da irmã Mirtes Roman, o irmão Rossetto presenciou a ala masculina noutros tempos. Dos alunos e professores aos funcionários e irmãos. Do final da década de 40 para a fase atual, ele relata, por meio de registros guardados na memória, a importância daquela época. ''Era uma fase muito boa, com alunos que já entravam no ginásio com responsabilidade e poder grande de concentração, porque não havia tanta informação e descontração para se distrair'', explica. Quase centenário, o irmão gosta de brincar com a imaginação das crianças. Os pequenos frequentemente vêm perguntar a sua idade, e ele questiona: ''é 100-7, você sabe?''.

Durante décadas, só meninos estudavam no Conceição. O irmão Rossetto lembra que, a partir de 1972, quando as meninas começaram a estudar na escola, a movimentação foi enorme. ''Foi uma novidade, vieram muitas meninas para cá, principalmente no curso primário, com isso aumentou também o número de meninos'', declara.

No Colégio Marista Conceição, o internato foi um dos principais marcos da sua história. Com uma capacidade de 140 internos, os meninos eram divididos em duas categorias: pequenos e grandes. Na escola, eles tinham o próprio tutor, que era a ''família'' do estudante na instituição. No internato, os horários eram regulados por setores: a hora do estudo, da brincadeira (com esporte incluso) e o momento pessoal, que engloba as refeições e a hora de acordar e dormir. A folga acontecia no final de semana, quando as famílias buscavam os garotos para passar dois dias em casa.

A diversão no outro século era restrita, distinta do mundo contemporâneo. O irmão Rossetto alega que o estudo, o esporte, o rádio e o matinê (o cinema de antigamente) eram as ocupações dos jovens na época. Mas, se o desempenho nas aulas não colaborasse, tudo ia por água abaixo. ''A família geralmente tirava o matinê das crianças se elas estivessem com notas ruins, era a maior punição'', comenta.

O relacionamento entre aluno e professor era mais próximo nas décadas anteriores, segundo o irmão. ''Existia um ciclo de amizade, o professor ficava junto aos alunos todo o tempo. Eles mantinham contato no tempo de cada aula (50 minutos) e nos recreios também, que tinham dez minutos de duração'', afirma.

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