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De olho no céu

Autor: Daniel Rohrig
De olho no céu
Foto: Daniel Rohrig/DM

Distribuição das chuvas na região deve ser fator determinante para o desenvolvimento das lavouras de soja a partir de janeiro. A baixa precipitação de dezembro prejudicou o cultivo do milho, que já registra prejuízos

Consolidado como terceiro maior produtor brasileiro de soja, o Rio Grande do Sul colheu na safra passada 18,7 milhões de toneladas do grão, cultivado em uma área de mais de 5,5 milhões de hectares. Para repetir a façanha de uma das maiores safras da história, os agricultores precisam que o clima faça a sua parte a partir de janeiro e que as previsões relacionadas ao La Niña não se confirmem. Para este ano, o agricultor Henrique Panassolo Saggioratto, 24 anos, manteve a área para o plantio da soja na esperança de repetir os bons números. Os 690 hectares do grão que cultiva em Mato Castelhano, município vizinho a Passo Fundo, já estão na fase de crescimento vegetativo.

“Nós plantamos a lavoura entre o fim de outubro e o início de novembro. Nessa fase, a partir de agora, a chuva vai ser muito importante para o crescimento da planta e o florescimento que ocorre entre janeiro e fevereiro. Eu acredito que possa haver uma perda em virtude da falta de chuva ocorrida em dezembro, mas nada grave. Agora, o aspecto da lavoura é bom e se chover nesses meses decisivos, vamos colher uma boa safra novamente. Mas se a previsão do La Niña se confirmar, não vamos conseguir repetir a produtividade de 2017”, avalia o produtor.

Para o engenheiro agrônomo da Emater, Cláudio Doro, mesmo de baixa intensidade, a chuva conseguiu suprir a demanda de umidade das lavouras da região e nas últimas duas semanas, o volume de precipitação regular manteve o bom andamento da safra. “Na fase de crescimento vegetativo da planta, na qual se encontram a maioria das lavouras da região, a soja necessita de 3mm por dia, ou seja, 100 mm de chuva por mês garantem um bom desenvolvimento. A nossa expectativa é que o clima a partir de agora colabore com os agricultores e, também, influencie em bons números da safra”, entende.

De acordo com a Emater, a área plantada de soja no Rio Grande do Sul este ano teve um aumento de 4%. Um dos motivos é a preferência pelo grão em detrimento ao milho, que demanda mais água para se desenvolver. Com uma média de chuva de 120 mm mensais, desde novembro até agora, Doro avalia que os próximos meses devem ser bons para o campo. “Após o dia 15 de janeiro até 20 de fevereiro, a soja entra na fase de floração, formação da vagem e enchimento de grãos. Nesse sentido, a planta não necessita mais de tanta umidade para de desenvolver e por isso, acreditamos que mesmo que o La Niña incida com baixa intensidade, não há perigo para as lavouras. Mas é claro que continuamos na dependência de boas chuvas”, observa Doro.

Preço da soja decepciona

“No ano passado, nessa época, nós já tínhamos 27% da safra de soja comercializada no mercado futuro. Essa venda ocorria na base de R$ 80,00. Agora, como o preço retraiu bastante, em torno de R$ 65,00 até R$ 70,00, o agricultor está bastante tímido para fazer essa comercialização no mercado futuro, somando apenas 13% da safra atual vendida nesse modal. Está tudo em aberto ainda, o produtor aposta em preços melhores em abril e maio na esperança de bons negócios”. A citação do engenheiro agrônomo da Emater, Cláudio Doro, resume o descontentamento dos produtores em relação ao preço do grão.

De olho no céu a procura de nuvens de chuva, o agricultor Henrique Saggioratto relata a decepção com o preço, em relação dos investimentos que fez na lavoura este ano. “Hoje, a saca de soja opera na média de R$ 65,00, bem diferente dos R$ 80,00 na qual vendemos na safra passada. Esse preço praticado hoje é de cinco anos atrás. Realmente não compensa, pois o valor dos insumos e implementos agrícolas aumentaram e a soja retraiu. Estamos na espera de um valor maior para vender, caso contrário não compensa”, desabafa o produtor. Este ano, Saggioratto pretende colher 75 sacas por hectare, número semelhante ao ano passado.

Safra de milho preocupa

A tendência no Rio Grande do Sul foi reduzir a área plantada de milho e apostar na expansão das lavouras de soja. No caso de Saggioratto, a necessidade de praticar a rotação de culturas para manter os nutrientes do solo obrigou o agricultor a aumentar os investimentos do milho, o que já causa prejuízo ao produtor. “Na região norte, tivemos chuvas mal distribuídas que prejudicaram o milho. A safra aqui da região vai ser menor do que nos últimos dois anos, pois faltou chuva. Com isso, as espigas tiveram má formação e são menores em tamanho no comparativo com ano passado. Uma das expectativas é com o preço. Com a informação que houve atraso na semeadura da soja na região norte, a nossa aposta é que o preço do milho aumente aqui para o Estado em virtude disso”, pontua.

A área de 70 hectares destinada ao milho na propriedade de Saggioratto aumentou para 90 hectares este ano. Mesmo com o aumento, a produtividade da lavoura não deve superar as 180 sacas por hectares da última safra. “Estive na lavoura hoje e certamente vamos ter prejuízo. Além das espigas menores, a escassez de chuva na fase de enchimento de grãos comprometeu a qualidade do grão. A minha expectativa é colher menos este ano, cerca de 110 sacas por hectares”, avalia o produtor.

A explicação para o prejuízo é relativamente simples, conforme a Emater. “No milho, quando começou a chover menos em dezembro, foi um momento crítico para essa cultura. Nós projetamos uma perda de 15% a 20% na produtividade este ano. Será uma safra quebrada”, projeta Doro. De acordo com o agrônomo, o Rio Grande do Sul plantou, este ano, uma das menores áreas de milho dos últimos quinze anos. A principal destinação do grão é para a produção de silagem, composto que garante a alimentação dos bovinos e outros animais durante o inverno e também para a ração. Este perfil é comum nas propriedades familiares. (Confira aqui, matéria sobre as perspectivas para o milho)

Previsão do tempo para janeiro

As chuvas devem retornar à Região Sul na metade do mês de janeiro. Poderão ocorrer pancadas localizadas e de baixa intensidade sobre a Região Central e na Metade Norte do Rio Grande do Sul. Para o cultivo da soja, o período de poucas chuvas requer maior atenção para a redução significativa de umidade do solo, o que pode comprometer o desempenho das lavouras. Não há indicativo de ventos frios ao longo das duas primeiras semanas de janeiro. Já as altíssimas temperaturas durante as tardes elevarão as taxas de evapotranspiração, o que pode ser um problema para as culturas em um período de ausência de chuvas regulares.

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