Diário da Manhã

Saúde

Siso: Qual a função do terceiro molar?

Autor: Daniel Rohrig
Siso: Qual a função do terceiro molar?
Foto: Daniel Rohrig/DM

Geralmente relacionados a problemas odontológicos, os dentes do siso já foram muito úteis para a espécie humana. Com a evolução e o desenvolvimento de alimentos de fácil deglutição, entenda por que eles ainda estão presentes na configuração dentária

São trinta e dois dentes que formam a arcada dentária de uma pessoa adulta. Até aí, nenhuma novidade. O fato curioso gira em torno dos últimos quatro dentes que se manifestam, geralmente entre a adolescência e a fase adulta, conhecidos tecnicamente como terceiros molares, ou no popular jargão, dentes do siso. Cerca de 90% da população mundial não tem capacidade física de acondicionar os dentes no espaço bucal destinado a eles e, portanto, necessitam aderir a extração completa para evitar infecções e outros problemas. Apenas uma pequena parcela, cerca de 5% da população, nasce sem os dentes do siso, um indicativo que a teoria da evolução das espécies pode estar correta quando o assunto é a adaptação do ser humano para com o meio em que vive.

De acordo com o coordenador do programa de Residência Profissional em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial UPF/SMS/HC, Renato Sawazaki, o siso já teve sua importância na alimentação humana. “Existe uma teoria de que estamos perdendo os dentes do siso por conta da evolução. Se nós analisarmos por meio da teoria darwiniana, a gente perdeu dentes durante nossa evolução como mamíferos primatas, à medida que houve uma diminuição do tamanho da arcada dentária. Nesse caminho evolutivo, o ser humano consumia alimentos muito duros e precisava de dentes para processar tudo isso. A partir do momento em que o ser humano passou a cozinhar seus alimentos, e em um momento mais recente, industrializar a própria comida, o terceiro molar deixou de ter sua função de triturar”, explica o professor.

Nessa perspectiva, Sawazaki não acredita que os dentes do siso deixarão de fazer parte da fisiologia humana, pois não há danos à espécie por conta disso, já que os métodos de extração são bastante eficientes. O que ocorreu, na perspectiva da evolução, foi a diminuição do espaço para acondicionar os sisos na boca. “Nós temos estudos no campo mundial que apontam que somente entre 7% a 10% da população tem espaço suficiente para que o siso nasça sem complicações e funcionem como elementos mastigatórios normais”, comenta. Usados para moer e mastigar os alimentos, os dentes molares possuem várias cúspides na superfície de mordida para ajudar neste processo.

Atenção aos problemas

A pericoronarite é um dos problemas mais comuns relacionados ao dente do siso, pois consiste em uma inflamação que afeta o tecido mole que recobre a coroa do dente, tipicamente observada nos terceiros molares, em especial os inferiores. Isto ocorre diante de erupções parciais na gengiva, contribuindo para dificuldades de higienização. “Em casos mais graves, há infecções com altas taxas de letalidade. Muitas pessoas me perguntam ‘por que a infecção do terceiro molar é mais grave?’ e a resposta tem relação com a localização deste dente, próximo às vias aéreas e da garganta. Qualquer infecção que possa surgir nessa região pode causar a obstrução dessas vias e ocasionar casos graves aos pacientes”, explica Renato Sawazaki.

O professor comenta ainda sobre um caso recente de um paciente internado após enfrentar um caso grave de pericoronarite. “Neste caso, ocorreu uma infecção bastante grave em que o período de internação supera os dez dias. Justamente por ser o problema mais comum e o mais grave em relação ao terceiro molar é que nós pedimos bastante atenção”, justifica o professor. Quando ocorrem infecções, a anestesia para a extração do dente pode não surtir efeitos na região afetada. A gravidade do quadro pode demandar a aplicação de anestesia geral para concluir o tratamento.

Em segundo lugar no quesito complicações estão os problemas relacionados à cárie. “O terceiro molar pode sofrer problemas comuns dos demais dentes, como a cárie, por exemplo. Aí entra a dificuldade de tratar, por ser um dente que está numa região de difícil acesso para a aplicação dos tratamentos convencionais. Além do acesso, ele estará parcialmente aparente tornando praticamente impossível tratar o dente”, explica Sawazaki. Em casos incomuns, a existência de patologias também pode causar transtornos para os pacientes, como a existência de tumores nessas regiões quando há dificuldade de erupção do siso. Por fim, em casos raros, há a presença do quarto molar em cerca de 0,5% da população.

Quando extrair

Em todas as avaliações relacionadas ao dente do siso, o procedimento adotado pelos dentistas é avaliar o espaço na arcada dentária para que o dente se desenvolva sem prejudicar os demais. Em 90% dos casos, não há condições de que a erupção ocorra. Em cenários de intervenções ortodônticas, ou seja, o uso de aparelho dentário para corrigir imperfeições nos dentes, o ortodontista já utiliza de eventuais espaços para a correção, impossibilitando a permanência do siso. “Normalmente nós indicamos a extração do siso de forma profilática, ou seja, antes dele nascer, para que o paciente não sofra nenhum problema e prejudique o tratamento ortodôntico. Não há como saber em que momento este dente poder vir a nascer e causar danos”, complementa o professor Renato Sawazaki.

O profissional alerta que a melhor época para realizar o procedimento de extração compreende dos 16 aos 22 anos de idade. Dentro deste tempo, o padrão de recuperação pós-operatória é considerado ideal para o paciente, em que existe uma tranquilidade na conclusão do tratamento. “É muito melhor extrair um terceiro molar de uma pessoa saudável do que trabalhar em cima de um dente com alguma infecção ou doença, assim como receber um paciente de idade mais avançada, que já traz consigo outras complicações, como problemas cardíacos, tratamentos oncológicos, entre outros”, completa.

A trajetória dos dentes

Os primeiros sinais da dentição ocorrem por volta dos seis meses de vida, os chamados dentes de leite. No total, são vinte dentes que se formam na boca da criança e que merecem muita atenção. É importante conhecer os principais cuidados dessa fase para estar preparado quando o primeiro dente cair. Isso porque na faixa dos 6 a 7 anos os dentes de leite dão espaço para os permanentes. Depois, essa troca dá forma à arcada completa que acompanhará uma pessoa por toda vida, composta por 32 dentes.

“Ao contrário de todos os outros dentes, o siso não possui um correspondente de leite para ele. Por isso, ele começa a se manifestar próximo da vida adulta de uma pessoa. O dentista começa a perceber a formação deste dente a partir dos 12 anos de idade, mas pode tardar até os 14 anos. Ele fica totalmente visível em radiografias depois dos 16 anos, por isso é popularmente chamado do ‘dente do juízo’. A erupção do siso deve ocorrer até os 22 anos. Se até esta idade ele não estiver visível em radiografias, provavelmente o paciente não desenvolveu o dente”, diz Renato Sawazaki.

Quem faz o que?

Incisivos – Dentes frontais afiados em forma de cinzel (quatro superiores, quatro inferiores) para cortar os alimentos.

Caninos – Às vezes chamados presas, estes dentes são em forma de pontos (presas) e são usados para rasgar e segurar alimentos.

Pré-molares – Estes dentes têm duas cúspides pontiagudas em sua superfície cortante e são por vezes referido como pré-molares. Os pré-molares são para esmagar e moer alimentos.

Molares – Usados para moer e mastigar os alimentos, estes dentes possuem várias cúspides na superfície de mordida para ajudar neste processo.

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