Diário da Manhã

Economia

Relatório prevê crescimento econômico moderado em 2018

Autor: Caetano Bortolini Barreto
Relatório prevê crescimento econômico moderado em 2018
Foto: Divulgação/ Marcello Casal jr/Agência Brasil

Fundação de Economia e Estatística projeta que o desempenho industrial do Rio Grande do Sul deverá acompanhar de perto o da economia brasileira

A Fundação de Economia e Estatística (FEE) publicou a sua Carta de Conjuntura de janeiro, onde aponta que a economia do Rio Grande do Sul crescerá pelo segundo ano seguido, algo que não acontece desde o biênio 2010-2011, se confirmadas as expectativas atuais com o cenário econômico. Entretanto, segundo o relatório, a sequência de recuperação se manterá lenta, caracterizando-se mais como uma recomposição parcial da perda do nível de atividade durante a recessão do que uma retomada mais consistente da economia.

A partir de dados da pesquisa Focus, do Banco Central do Brasil, o economista e pesquisador da FEE Martinho Roberto Lazzari estima que a economia brasileira deva crescer 2,7% em 2018, tendo como base o aumento do consumo e, em menor grau, das exportações, com o investimento ainda aguardando períodos econômicos e políticos mais claros. “A economia gaúcha, por óbvio, terá seu desempenho determinado, em grande parte, pelo ritmo de crescimento da economia brasileira. Entretanto, especificidades econômicas do Estado poderão desviar o crescimento do RS daquele esperado para o Brasil”. A ideia das projeções, segundo Martinho, não é tanto acertar a previsão do índice, mas ver como o RS se comporta em relação ao Brasil e às variáveis analisadas.

A Carta de Conjuntura aponta que, em 2017, a agricultura do Estado apresentou um bom desempenho graças ao aumento da área plantada e a rendimentos médios recordes nas culturas de arroz, milho e soja. Para 2018, as primeiras previsões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de novembro de 2017, indicam que, em função da baixa rentabilidade esperada, haverá diminuição da área colhida dessas culturas temporárias. Como a produtividade física também deverá ser menor que a de 2017, é esperada uma redução da produção agrícola do Estado para 2018. A safra brasileira de grãos também deverá ser menor, mas como a participação da agropecuária no Valor Adicionado total é maior no Rio Grande do Sul, o efeito negativo deverá ser maior no Estado.

Para o administrador e professor da IMED, Adriano José da Silva, o Brasil poderá depender novamente de atores externos para prosperar. “Se o período de chuvas se mantiver em níveis adequados poderemos ter uma safra positiva em termos de produtividade ao falar da soja. Dentro de um processo histórico, deveremos mais uma vez depender de São Pedro e da política para colocar a economia em um crescimento sustentado”, relaciona.

Ainda segundo o documento, após o ano de 2017, em que o desempenho da indústria de transformação oscilou entre avanços e quedas ao longo dos trimestres, a expectativa para 2018 é de um ritmo de expansão mais estável. Embora se espere que o comércio mundial cresça em torno 4,0% em 2018 — conforme o Fundo Monetário Internacional (FMI) —, o texto da FEE defende que o principal ponto de crescimento das vendas da indústria continuará no mercado interno, dada sua maior representatividade. Desse modo, o desempenho industrial do Rio Grande do Sul deverá acompanhar de perto o da economia brasileira neste ano que se inicia.

A Carta de Conjuntura indica que as atividades ligadas ao setor automotivo também deverão ter um bom desempenho neste ano, alicerçadas na continuação do crescimento das vendas de automóveis no mercado doméstico e para a Argentina. Ao contrário de outras atividades econômicas, a construção civil, que durante os momentos de crise mundial defendeu a economia brasileira, ainda não esboçou nenhum processo visível de retomada do crescimento, nem no Estado, nem no Brasil. Estoques elevados de novas moradias dificultam a recuperação do setor. Algum alívio pode vir de investimentos federais em obras de infraestrutura, mas nada que mude consistentemente a realidade do setor para 2018.

Consumo cresce após três anos de recessão

Para Lazzari, o consumo das famílias brasileiras retomou a expansão e, como consequência direta, o comércio voltou a crescer no Brasil e no Rio Grande do Sul, algo não verificado desde 2014. “Para o novo ano, as perspectivas são de aceleração do crescimento do consumo e consequente expansão das vendas comerciais. Tais expectativas se ancoram na elevação do crédito à pessoa física, na queda dos juros e na esperada melhora das condições do mercado de trabalho”, declarou o economista. Os últimos dados levantados pela FEE em 2017 mostram, no entanto, que o aumento do emprego e, principalmente, dos rendimentos reais dos ocupados ainda estão distantes de serem consistentes, pois os empregos gerados são precários e de remuneração mais baixa, impedindo um aumento mais significativo da massa salarial.

No caso do Rio Grande do Sul, haverá ainda o agravante da redução da safra agrícola, que geralmente produz efeitos diretos e indiretos sobre as vendas do comércio em todo o Estado. O professor Silva defende que o cenário terá de colaborar para que o crescimento se torne realmente visível em 2019. “O fato é que a inflação em 2018 deverá ficar dentro da meta estabelecida e teremos crescimento econômico após uma grande recessão. É importante debater uma agenda de reformas futuras e que a sociedade esteja consciente do seu papel nessas eleições. Uma agenda de reformas é inevitável para aumentar o investimento público e privado em obras de infraestrutura o que garantiria empregos e renda para as famílias, além de dar maior previsibilidade. O governo Temer, terá que decolar nos meses de fevereiro e março, caso contrário não existirá mais ambiente político em razão das eleições presidenciais de outubro de 2018”.

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