Educação

Ludicidade e tecnologia em prol da educação infantil

Autor: Daniele Freitas
Ludicidade e tecnologia em prol da educação infantil
Foto: Daniele Freitas / DM

A utilização de recursos digitais, aliada às brincadeiras, cria um universo propício e atrativo para a aprendizagem das crianças

Uma geração atenta às telas e com dedos ágeis para acessar novas informações nas plataformas digitais. Indiscutivelmente, as crianças de hoje têm um perfil distinto daquelas de vinte ou trinta anos atrás – também, pudera: em décadas passadas, era inimaginável ter, na ponta dos dedos, o acesso a tantos recursos tecnológicos. As mudanças não se restringem à modernização dos equipamentos, mas, também, há uma nova forma de aprender e de ensinar. Em algumas escolas de Passo Fundo, a tecnologia ganha espaço na sala de aula como um instrumento facilitador ao desenvolvimento de novos conteúdos, sem disputar espaço com a ludicidade e as tradicionais brincadeiras infantis.

Divididos em 20 turmas, os 350 alunos da educação infantil do Colégio Notre Dame, de Passo Fundo, não perdem um dia de sol sem desfrutar do contato com a natureza nos espaços de lazer e de recreação oferecidos pela instituição. Na escola, as brincadeiras na quadra esportiva ou no parquinho de areia não são apenas um passatempo: o contato com os colegas cumpre um importante papel pedagógico de socialização, validado pelo contexto escolar e que assegura uma vivência necessária em tempos de núcleos familiares cada vez mais restritos. “A realidade que temos observado nos últimos tempos na escola é que as famílias estão menores, tendo menos filhos, e as crianças convivendo menos com outras crianças e mais com adultos. Vemos muitos filhos únicos, criados pelos avós, e que por isso são o centro das atenções na família. Aqui, eles se relacionam com os seus pares, aprendem a dividir, a conviver e a viver em sociedade”, destaca a coordenadora pedagógica da Educação Infantil, Márcia Scortegagna Pereira.

A socialização, aliás, é um dos propósitos a serem desenvolvidos durante essa etapa de formação. Desde 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) inseriu a Educação Infantil dentro da Educação Básica, que também é composta pelo Ensino Fundamental e Ensino Médio. Por isso, os anos iniciais já são considerados como parte da escola, com conteúdos específicos para essa faixa etária. Segundo o documento (LDB, Lei nº 9.394, seção II, Art. 29), a Educação Infantil é oferecida para, em complementação à ação da família, proporcionar condições adequadas de desenvolvimento físico, emocional, cognitivo e social da criança e promover a ampliação de suas experiências e conhecimentos, estimulando seu processo de transformação da natureza pela convivência social. Nesse sentido, a ludicidade é o caminho para ofertar situações de aprendizagem que, efetivamente, contribuam para o desenvolvimento integral da criança, estabelecendo um equilíbrio entre as atividades com propósitos escolares e as brincadeiras espontâneas de cada aluno.

A contextualização acerca dos propósitos da Educação Infantil ilustra o cenário para atuação do educador, o que, no caso do Colégio Notre Dame, atende a uma prática pedagógica norteada por dois objetivos centrais. “O primeiro deles é a identidade e autonomia, em que a criança se identifica como um indivíduo único, que é capaz de fazer umas coisas e outras não, ou seja, essa busca da autonomia enquanto indivíduo. O segundo é o conhecimento de mundo, no qual temos subáreas como a linguagem oral e escrita, o corpo, a música, a natureza e sociedade, para, a partir disso, as crianças conhecerem o mundo em que estão. É aí que entra a parte social”, explica a coordenadora.

No âmbito do desafio diário de ensinar, não há como ignorar as novas vivências da chamada geração Alpha – que, segundo os especialistas, compreende o grupo de crianças nascidas a partir dos anos 2010 e que interage com as tecnologias desde o seu nascimento. A naturalidade ao deslizar os dedos por um smartphone ou tablet parece estar inserida no DNA. “Se eles pegarem um aparelho que não é touch, eles vão colocar o dedo na tela do mesmo jeito. É uma geração que já nasce nesse meio de recursos tecnológicos e não temos como ignorá-los, mas precisamos oferecer um uso adequado. O tablet, por exemplo, não pode ser o único brinquedo da criança. Uma boa escola tem que ter o lúdico, o brincar, e esses recursos tecnológicos também trazem brincadeiras bem importantes. Na Brinquedoteca, temos uma lousa interativa em que eles brincam com as imagens, criam cenários e resolvem situações-problema, que são fundamentais nessa faixa etária”, salienta.

O equilíbrio entre o período dedicado às atividades ao ar livre e ao acesso às ferramentas tecnológicas determina a condução dos trabalhos dentro e fora de sala de aula. Um exemplo é o próximo projeto que será desenvolvido pelas turmas do Nível II, com crianças de quatro anos de idade. “Será um trabalho relacionado às artes. No laboratório de informática, os alunos vão pesquisar sobre pintores famosos do mundo inteiro e também sobre a Miriam Postal, que é uma artista da nossa cidade. Essa pesquisa vai ajudá-los a conhecer e a pesquisar, que são possibilidades oferecidas pela internet”, relata. Ainda segundo a coordenadora pedagógica, a escolha pela utilização de equipamentos eletrônicos em sala de aula se dá em decorrência do conteúdo a ser trabalhado. “Procuramos adequar, sem deixar de lado as brincadeiras folclóricas e as do dia a dia, que permitem o contato entre as crianças. As tecnologias são muito importantes, desde que usadas adequadamente, com bom senso”.
 
Em constante movimento
A inquietação faz parte da criança, especialmente na faixa etária dos dois aos cinco anos de idade. Nesse período, a ânsia pela experimentação impede que a concentração seja despejada em uma única atividade por muito tempo. Por isso, a alternância entre metodologias de ensino e suportes de aprendizagem cumpre uma função essencial para garantir melhores resultados no desenvolvimento infantil. Laura Oliveira Barufaldi, aluna do Nível III, tem apenas cinco anos, mas  já transita com facilidade entre as atividades. “Eu brinco bastante na brinquedoteca e o lugar que eu mais gosto é a piscina de bolinhas, porque eu posso dar cambalhotas. Em casa, eu uso o meu celular pra desenhar, assistir desenhos e jogar joguinhos. Até aprendi a mexer sozinha”, conta.
Na avaliação da coordenadora pedagógica da Educação Infantil, Márcia Scortegagna Pereira, é primordial o acompanhamento dos pais com relação ao conteúdo acessado pelas crianças. “Temos uma gama muito grande de informações na internet, mas não necessariamente elas fazem parte da construção do conhecimento. Nós queremos que nossos estudantes aprendam a utilizar essas informações e transformá-las em conhecimento, que eles tenham um pensamento crítico e seletivo a partir dessas informações disponibilizadas na internet e nos jogos, reconhecendo o que é saudável e educativo e o que não é. Há jogos que estimulam atitudes de violência, posturas inadequadas, então os pais também precisam estar atentos a isso”, complementa.

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