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Insatisfação com classe política reflete no comportamento do eleitor

Autor: Daniel Rohrig
Insatisfação com classe política reflete no comportamento do eleitor
Foto Divulgação

Em média, 20% dos eleitores devem votar em branco ou anular o voto de acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha envolvendo pré-candidatos a Presidência da República

Por mais que a expectativa da divulgação de uma nova pesquisa sobre o cenário político envolvendo a intenção de votos para os presidenciáveis no pleito de 2018 estivesse pautada pelo desempenho do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após o início do cumprimento de sua pena em regime fechado, outro número chama a atenção dos cientistas políticos. De acordo com o Instituto Datafolha, em média, 20% dos eleitores consultados deverão votar em branco ou anular o voto nestas eleições. Os números foram divulgados no último domingo (15) e são um indicativo do que deve refletir nas urnas dentro de pouco mais de seis meses.

Seguindo a linha matemática, ao traçar um comparativo com os números registrados nas Eleições de 2014, o índice de votos brancos e nulos pode aumentar em quase cinco vezes. Juntos, somaram 6,34% dos votos no pleito passado, a nível nacional, representando pouco mais de sete milhões de eleitores. No Rio Grande do Sul, o índice foi maior e ficou em 8,09%  - cerca de meio milhão de votos. Caso a pesquisa com a projeção de votos brancos e nulos se confirme, na prática, mais de 30 milhões de eleitores optarão por não votar em nenhum candidato nestas eleições.

A explicação para tal dado apontando pelo Datafolha está relacionada ao descontentamento generalizado em relação a classe política, avalia o cientista político, Antônio Kurtz Amantino. “Quem vota em branco ou anula o voto na eleição é porque está insatisfeito com as opções que tem. Outro motivo é porque o eleitor acha que o voto dele não vai mudar nada, já que é um diante de milhões. Têm também quem considera a classe política desacreditada, devido a atual conjuntura do país. Em resumo, é um somatório de fatores que resulta nesta estimativa que mostra a pesquisa”, frisa.

Para Amantino, o senso comum do discurso contra a corrupção colabora para propagar a premissa de que todo o político é desonesto e que independente de quem assumir, agirá da mesma maneira. “Primeiro que esta afirmação não é verdade. Nosso sistema de democracia representativa, embora tendo várias falhas, ainda é eficiente, já que não há como ter um sistema de autogoverno. O alto grau de corrupção entre um número grande de políticos vai ser o item que mais agirá sobre a intenção do eleitor em anular o voto ou optar em votar branco, sem contar nos índices de abstenção”, explica.

A abstenção, quando o eleitor deixa de votar, atingiu números bastante elevados já em 2014 e somou 21,1% dos votos – cerca de 30,1 milhões de eleitores. Na visão de Amantino, números assim não são necessariamente negativos, visto em que há países em que o voto não é obrigatório e um grande grupo de pessoas não vota. “É cedo para estimar o número de votos brancos e nulos, pois à medida que vamos nos aproximando das eleições, algumas candidaturas começam a despontar e dependendo de como isso se dará, talvez até aumente o número de pessoas que iriam votar em branco mas que decidem participar do processo eleitoral”, projeta o cientista político. A pesquisa, realizada entre a última quarta (11) e sexta-feira (13), entrevistou 4.194 pessoas em 227 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Após prisão, Lula ainda lidera

Preso desde o último fim de semana na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), o ex-presidente Lula (PT) continua o pré-candidato com índices mais altos de intenção de voto para a eleição de outubro, variando ente 34% e 37%. A candidatura do petista pode ser lançada mesmo com ele em regime fechado, mas ainda precisaria ser avalizada pela Justiça Eleitoral para se tornar oficial. Na ausência de Lula , Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede) aparecem à frente, em situação de empate técnico. Outros possíveis nomes do PT - Jaques Wagner e Fernando Haddad - não ultrapassam 2% das intenções de voto, assim como não há apoio popular no momento às pré-candidaturas do MDB - Michel Temer e Henrique Meirelles – que somam 2% nas diferentes situações testadas.

Incluído como opção do PSB à Presidência, o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, se sai melhor, alcançando até 10% da preferência dos brasileiros, sempre em condição de empate técnico, porém numericamente à frente de Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), ambos ex-governadores e com disputas presidenciais no currículo. Nomes testados pela primeira vez como Flavio Rocha (PRB) e Guilherme Afif Domingos (PSD) também não passaram de 1% das intenções de voto, no mesmo patamar do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), que oscila entre 1% e 2%.

Em relação à pesquisa do Datafolha realizada de 29 a 30 de janeiro, Lula recuou quatro pontos percentuais dentro da margem de erro. Na avaliação do cientista político,  Antônio Kurtz Amantino, o desempenho do ex-presidente está relacionado com a percepção sobre seus dois últimos mandatos. “Se o Lula pudesse participar da eleição ele ganharia. E digo isso pois de acordo com a Lei da Ficha limpa, na situação em que ele se encontra, não vai poder ser candidato. A Operação Lava-Jato imprimiu a ideia de que todos os políticos e todos os partidos políticos são corruptos. Nessa linha, o povo pensa que, se todos os políticos são assim, vamos escolher o candidato que olhou para os pobres. Eis que surge o Lula”, entende.

Para  o Datafolha, a queda no patamar de votos do petista verificada na pesquisa estimulada - quando são apresentados cartões com nomes dos candidatos - é reforçada pela consulta espontânea do levantamento, realizada sem apresentação de nomes e que aponta queda de 17% para 13% nas menções ao ex-presidente. Não houve, porém, ascensão de outros nomes nesse intervalo, com seus principais adversários mantendo seus índices anteriores ou oscilando dentro da margem de erro do levantamento, tanto na consulta estimulada quanto na espontânea.

PT critica nova pesquisa

Em seu site oficial, o Partido dos Trabalhadores afirmou que Lula foi “retirado artificialmente” da pesquisa, e que, mesmo neste contexto, “tem o dobro dos candidatos que assumiriam liderança” nos seis cenários considerados. Para o PT, a definição de candidatura para as eleições de outubro de 2018 permanece ancorada pelo ex-presidente e reafirmam que os acampamentos das vigílias em campanha permanecerão. A sigla critica que dos nove cenários estudados o instituto de pesquisas realizou seis deles sem o ex-presidente.

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