Agro Diário

Produção de pinhão voltará a normalidade nesta safra

Autor: Matheus Moraes
Produção de pinhão voltará a normalidade nesta safra
Fotos: Matheus Moraes / DM

Aproximadamente 200 toneladas a mais serão produzidas na colheita deste ano em relação a 2016, de acordo com estimativa da Emater-RS/Ascar

A produção de um dos alimentos mais tradicionais do inverno gaúcho, o pinhão, deve crescer na safra deste ano. A estimativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RS/Ascar) é de que sejam produzidas cerca de 800 toneladas de pinhão no Rio Grande do Sul. O número é superior ao ano passado, que obteve 700 toneladas colhidas em todo o Estado. O número é maior ainda em relação a 2016, quando cerca de 600 toneladas foram apanhadas. Mesmo com o acréscimo, o volume estimado é considerado de um safra normal.

O engenheiro agrônomo da Emater/RS, Ilvandro Barreto de Melo, declara que o acréscimo no volume deve ocorrer em razão à normalidade aos períodos chuvosos, visto que não ocorreu estiagem em momentos cruciais da formação do pinhão, entre agosto e outubro de 2017. Segundo ele, a formação do pinhão está exposta ao clima durante um período de três anos até a sua colheita. "Houve essa condição de normalidade no tempo. São três anos para a formação da semente. Nós também tivemos safras um pouco abaixo da normalidade nos últimos anos. Houve um natural descanso fisiológico das árvores, o que proporciona a ter uma safra normal", explica.

O crescimento da produção de pinhão, contudo, deve prosseguir para 2019. De acordo com o engenheiro agrônomo, já é possível localizar pequenas pinhas carregadas nas araucárias, o que indica uma possível super safra para a próxima temporada. "É impressionante a quantidade de pinhas pequenas já carregadas. Se não houver nenhum problema nas condições climáticas no ano que vem, teremos uma super safra. Quem sabe seja bem superior a essa próxima que estamos vivendo. Neste ano, ainda dá pra se considerar que a safra é normal perto da capacidade de produção do Rio Grande do Sul", relata Melo.

Em relação aos preços, Melo lembra que houve uma grande importação do Paraná em 2016, época na qual a produtividade foi inferior no Estado. Na oportunidade, a importação fez com que os preços baixassem de R$ 13 a R$ 14 o quilo para menos de R$ 10, em razão da balança entre oferta e demanda com a pequena quantidade oferecida no RS. Para este ano, a estimativa do agrônomo é que o valor médio do quilo do pinhão esteja entre R$ 7 e R$ 8 nos supermercados. "É condicionado com a relação oferta e demanda. Em safras com alta oferta, o preço é baixo. Em safras normais, o preço é mantido dentro da normalidade. Se a oferta é baixa, o preço sobe. Sempre tem essa relação direta", explica o agrônomo.

Ele lembra que a colheita e a comercialização do pinhão só é liberada após 15 de abril, em razão de uma Portaria Normativa do Ibama. Por isso, é natural que as primeiras unidades estejam menos em conta que as futuras. "Nesse primeiro momento, os primeiros são praticados com preço superior, acima do mercado. Quando o pinhão entra de vez no mercado, é intensificado, há uma leve tendência de redução, até que rentabiliza no fim da safra, lá por agosto", pontua Melo.

Crescimento de produção reflete em melhores preços

O crescimento estimado nesta safra do pinhão beneficia quem é a ponte entre a produção e a venda. Para a sócia-proprietária de uma fruteira do Centro de Passo Fundo, Nice Cimarosti, o maior volume resulta na queda do preço do produto. Neste estabelecimento, por exemplo, o quilo do pinhão está em R$ 4,99. No entanto, o valor pode baixar, segundo ela. “O crescimento do pinhão nos ajuda diretamente. Se não tem o produto, geralmente o preço aumenta, se torna mais caro. Com mais demanda, o valor cai e o consumo aumenta bastante. Como esse ano promete, em questão de produção, o valor tende a melhorar pro consumidor”, enfatiza.

No estabelecimento de Nice, a venda iniciou há cerca de 15 dias. De acordo com ela, a qualidade do pinhão está em gradativa evolução, visto que os primeiros ainda não estavam no ponto ideal. Segundo a sócia-proprietária, o pinhão é um dos alimentos mais vendidos nos meses mais frios. No entanto, a comercialização é durante um período curto em razão da safra. “Ainda está no início, vai melhorar muito as vendas. Em comparação com o ano passado, o preço está bem mais acessível. Sempre vendemos bastante pinhão no inverno, só que é uma safra de um ou dois meses e logo acaba”, declara.

Ela diz, ainda, que durante o período mais frio do inverno, dificilmente há o produto em estoque, porque já foi comercializado e o auge da safra já passou. “No forte do inverno, na época de ter o produto, dificilmente se tem. A maioria já é vendida antes. A venda, portanto, tem que ser intensa nesse pequeno período de safra”, complementa Nice.

Tradição na cozinha gaúcha

A aposentada Cecília Pozzan, que estava desde cedo nas ruas de Passo Fundo na última quinta-feira (3), buscou agradar o marido ao comprar pouco mais de um quilo de pinhão. Em visita a uma sobrinha na cidade, a residente de Porto Alegre garantiu que ia deixar a família mais feliz com o alimento tradicional do inverno gaúcho. “Quando meu marido chegar em casa e ver que tem pinhão, vai comemorar”, revela, aos risos. “É que meu marido gosta bastante. Sempre venho comprar pra ele. A minha sobrinha, que estou visitando, também adora. É uma tradição gaúcha. Não se pode passar frio no inverno e nem sem comer pinhão”, brinca a aposentada.

Enquanto alguns consumidores já iniciam as compras para a próxima estação, a aposentada Dulce Vedana ainda aguarda para adquirir o produto. Segundo ela, o reflexo da produção irá contribuir ainda mais para os preços em supermercados e fruteiras. “Ainda não comprei esse ano porque está um pouco cedo, com os primeiros pinhões recém chegando. Logo mais, quando se aproximar mesmo do inverno, vou comprar. Até porque acredito que o preço estará mais em conta”, declara passo-fundense.

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