Geral

“Formamos cidadãos”

Autor: Isabella Westphalen
“Formamos cidadãos”
Foto: Fabiana Duarte/DM

A afirmação é do diretor da EEPROCAR, Celito Luiz Lorenzi, que já atua na instituição há 39 anos, e salienta que participar da história da Escola é um orgulho em sua trajetória. Um admirador de seus alunos, Lorenzi acredita que antes de formar um profissional, é necessário investir na formação de cidadão e acredita que este objetivo vem sendo bem cumprido

Hoje, 14 de maio, a Escola Estadual de Educação Profissional de Carazinho – EEPROCAR – completa 42 anos de atividade no município. Segundo o diretor, Celito Luiz Lorenzi, são 42 anos de altos e baixos, momentos bons e ruins, que ajudaram a formar a instituição de excelência em ensino técnico agropecuário que é hoje, uma das melhores do Rio Grande do Sul. Em 39 dos 42 anos da escola, Lorenzi esteve presente, por isso, afirma que toda sua trajetória profissional aconteceu na Escola e se orgulha que sua história se misture com a da instituição.

“Estou como diretor desde 2010, mas essa já é a terceira gestão que participo. Nesses anos, já ocupei todos os cargos que se imagina, já fui diretor, vice-diretor, coordenador de estágio, responsável pelo internato no início e professor”, contou Lorenzi, que também ressalta que, quando começou, como professor, em agosto de 1979, o nome da Escola era Centro Rural do Ensino Supletivo. Atualmente com 240 alunos para administrar, Celito afirma que sempre, um dos pontos mais importantes para ele, é acolher estes jovens com carinho, pois para muitos é a primeira vez que saem de casa. “Eu vim do meio rural, então, me identifico muito com os jovens que estão aqui. Sei de onde eles vieram, porque eu vim do mesmo local e da mesma forma”, emocionou-se o diretor.

Um dos objetivos da Escola é levar o aluno de volta para o campo, buscando renovar este interesse e estreitar as relações entre os jovens e o meio rural. “Quando eles chegam aqui, eu lembro que já passei por isso, embora tenha sido a bastante tempo, compreendo eles melhor neste primeiro momento”, afirmou Lorenzi, que afirma acreditar que o acolhimento é a melhor saída. “Eles tem que ser recebidos com mais carinho, atenção, então, temos que ter esse cuidado especial, para que eles não desistam disso e entendam que sair de casa faz parte da vida”, complementou Lorenzi.

Formando jovens para um país melhor

O laço de Celito com a Escola é visível, através da propriedade com que ele conta a história da instituição e, quando fala da EEPROCAR, fala também de sua trajetória, aprendizados e vivências. “No dia 10 de agosto de 79 eu comecei a dar aula, lembro bem o dia. E confesso que prefiro ser o professor, é mais interessante, existe mais a interação com o aluno”, comentou Lorenzi, que salienta que na direção, há pouco esse contato no dia-a-dia com os estudantes, que é algo que lhe faz falta.

“A gente forma uma grande família”, respondeu o diretor, quando questionado sobre a relação que há entre os alunos e toda a equipe de coordenação da Escola, pois, os alunos convivem mais naquele ambiente, do que em casa, por isso também cabe aos professores e funcionários da instituição, passar bons valores humanos. “A gente busca primeiro formar o cidadão, para depois formar o técnico. Se você formar bem o cidadão, por consequência o técnico vai ser bom também. Isso é o principal para a gente”, refletiu Celito, que ressalta que a teoria pode ser buscada através dos livros, porém, formar um profissional ético é através de bons exemplos e ensinamentos de vida.

“A ética é uma coisa que falta tanto hoje no Brasil, nos deparamos com tantos escândalos. Então, eu acho que temos que começar pelos nossos jovens, para que tenhamos um país melhor” - Celito Lorenzi

Quando reflete sobre sua trajetória na Escola, Lorenzi afirma que não parece ter passado tanto tempo, e pode dizer que viveu toda sua vida ali dentro. “Tiveram altos e baixos, momentos muito bons, outros nem tanto. Mas, hoje, a EEPROCAR é uma referência dentro das 26 escolas agrícolas, somos uma das melhores”, ressaltou o diretor, que é grato e reconhece o trabalho árduo até aqui, que fez a Escola chegar a um nível de excelência na formação de técnicos.

Base forte

Para a primeira diretora da Escola, Marleide Lorenzi, a instituição tem importância fundamental para quem por ela passa, pois há diferencial, a filosofia de vanguarda, de pesquisa, experimentos e atividades práticas. “Tem destaque nacional porque manteve essas práticas, com profissionais qualificados”, afirmou Marleide.

A ex-diretora começou a trajetória pela construção da Escola em 1974, pois haviam muitas coisas a serem resolvidas. De acordo com ela, haviam apenas dois prédios na época, viáveis para uso, portanto, ressalta ter sido um trabalho grande para a construção dos alojamentos. “Começou a ser idealizada em 1960 e foram três anos para que a Escola começasse. Em 1980, nos tornamos um modelo de escola padrão para o Brasil”, contou Marleide, que afirma ter se dedicado de forma integral para a concretização do projeto da EEPROCAR na época. “Deixei de lecionar na UPF e no Colégio Glória, para me dedicar a essa Escola. Era 24h, de segunda a segunda”, relembrou a primeira diretora.

Para Celito, a EEPROCAR é diferenciada, pois é “três em uma”, pois operam com a escola, trazendo a questão pedagógica para os alunos, a hotelaria, referente ao internato e a granja, que engloba as Unidades Educativas de Produção (UEP's). “Temos as mais diversas atividades, lavouras de milho, soja, aveia, gado de leite e de corte, suínos, aves, coelhos, enfim, uma série de áreas, nas quais os alunos atuam inclusive”, explicou o diretor, que afirma que toda essa vivência só vem a agregar na vida do aluno que mora nesta essa realidade todos os dias.

Hoje atuam cerca de 25 professores e 20 funcionários, envolvidos em diversos trabalhos e que prestam o suporte para os alunos, 24h todos os dias, mantendo o constante contato com os estudantes.

Maturidade

Há três anos estudando na EEPROCAR, a aluna Nathalia Luana Zimmer, 17, é uma das internas da Escola e está concluindo a modalidade ensino médio integrado, que propõe aos alunos 28 disciplinas, pois agrega o ensino técnico com os conteúdos da escola regular. “Está sendo de grande importância a minha vivência aqui, aprendi e ainda estou aprendendo muita coisa. Acredito que, quando a gente quer muito alguma coisa, a gente busca e consegue aprender”, comentou a estudante, que se forma na Escola este ano.

A jovem faz parte do grupo de cerca de 70 meninas que estudam na Escola, e compõe o grupo de cerca de 40 que são internas, ou seja, passam manhã, tarde e noite na instituição. Nathalia ainda não decidiu se quer cursar medicina veterinária ou engenharia ambiental, mas afirma que a Escola lhe preparou para qualquer uma das opções. “Estar aqui só reforçou minha vontade de querer seguir trabalhando com isso. Aqui a gente desenvolve tanto a parte animal quanto a vegetal, então é muito rico o ensino”, salientou a estudante.

Incentivada pelos pais e familiares a estudar na EEPROCAR, Nathalia, que é de Chapada, porém, a família reside no Distrito de Tesouras, relata que não foi fácil sair de casa tão cedo, porém, não se arrepende. “Acho que quando a gente gosta de algo, a gente não desiste. Aqui dentro eu amadureci, criei uma mentalidade diferente, que, inclusive me prepara para o mercado de trabalho”, avaliou Nathalia.

Há cada ano cresce a participação de mulheres no meio rural

Desde 2011 a EEPROCAR criou a possibilidade do internato feminino. Antes disso, as escolas agrícolas não contemplavam a presença das mulheres. De acordo com Lorenzi, das 70 alunos, 40 são internas e 30 semi, que no caso estudam e vão embora todos os dias. “Uma coisa que a gente percebe é que a participação das mulheres na área rural cresce todos os anos. Antes do internato, tínhamos somente 1 ou 2 meninas por turma, quando era muito”, explicou o diretor.

Segundo Lorenzi, as mulheres vem para agregar ainda mais o trabalho no campo e percebem um retorno, não significativo, mas que existe o aumento de jovens retornando para as propriedades e esse é um dos objetivos da Escola. “Estamos conseguindo cumprir e, a cada turma, percebemos que esse movimento só melhora, também porque hoje as condições no campo são diferentes”, ressaltou o diretor.

Pós ensino médio

Para estudar na EEPROCAR, também há a modalidade que pode ser realizada depois que o aluno conclui o ensino médio, como é o caso do estudante Guilherme Turela Mehring, 18, e que também está concluindo sua passagem pela Escola este ano. “Uma professora minha da escola me indicou para vir para cá, sabia do meu interesse nessa área e me ajudou”, contou o jovem, que é natural de Mormaço e também é um dos internos da instituição.

Sobre a experiência que adquiriu na instituição, Guilherme afirma que a vivência adquirida, irá lhe ajudar no que decidir fazer depois desta etapa concluída. “Acho que o maior aprendizado que tive aqui é o trabalho em equipe, certamente ajudou e muito na minha formação, porque também fiz muitos amigos aqui dentro”, disse o aluno.

Para ser um aluno

Segundo o diretor, o aluno que quer entrar para compor a parte de ensino médio integrado, deve ser inscrever através da Secretaria de Educação e que, o período normal de inscrições, abre a partir de novembro, para que venha a ser sorteado.

Na categoria de pós médio, Lorenzi afirma que há o processo seletivo, inclusive, um dos processos está com as inscrições abertas até domingo, dia 17 de junho. “Vamos abrir uma turma de 25 alunos, iniciando neste segundo semestre. Depois, em março, mais duas turmas ingressam”, explicou o diretor, que salienta que a Escola oferece um nível de ensino muito bom, dispondo de uma equipe de professores extremamente qualificada.

“O ensino técnico é fundamental para quem pensa em fazer agronomia, veterinária, engenharia florestal, biologia, zootecnia, enfim, cursos ligados ao meio ambiente e agricultura” - Celito Lorenzi

 

Comentários

Horários de Voos

Vôo Empresa Horários Destino (s) Frequência
VCP - PFB Azul 08:45:00 Passo Fundo segunda a sábado
VCP - PFB Azul 17:40:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 23:15:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 20:35:00 Passo Fundo sábados
PFB - VCP Azul 06:00:00 Campinas - SP todos os dias
PFB - VCP Azul 10:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos domingos
PFB - VCP Azul 19:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos sábados
FLN - PFB Azul 16:15:00 Passo Fundo Segundas, sextas e domingos
PFB - FLN Azul 18:20:00 Florianópolis Segundas, sextas e domingos

Matriz

Curta o Diário

(54)3316-4800Passo Fundo

(54)3329-9666Carazinho

  • Passo Fundo: (54) 9905-7864

    Carazinho: (54) 9959-5027