Agro Diário

Mais saúde na mesa

Autor: Fonte externa
Mais saúde na mesa
A região Sul é a maior consumidora de alimentos orgânicos do país, sendo que 34% da população já con

A região Sul é a maior consumidora de alimentos orgânicos do país, sendo que 34% da população já consumiu algum tipo desse alimento

Você já parou para pensar no que você consome? Se o alimento que você adquire é orgânico, convencional ou processado? Ou você apenas compra e faz sua refeição? Pois saiba que existe muita diferença entre um alimento orgânico e não orgânico. A Professora Mestre em Agronomia da Universidade de Passo Fundo, Claudia Petry, explica que um alimento orgânico normalmente é produzido em um sistema certificado. Sua produção não conta com sementes transgênicas nem insumos químicos de síntese, ou seja, eles não entram em contato com nenhum tipo de agrotóxico ou pesticidas solúveis, além disto, nenhuma semente é exposta à radiação.

“Quando tenho uma semente de boa qualidade e produzo em um solo sem estes insumos a planta reage melhor ao ambiente e seu sistema imunológico fica mais equilibrado. Este sistema equilibrado é que nos dá os fitoquímicos para a saúde, que é o que a gente tanto precisa. Isto tudo para o consumidor significa, mais vitamina C, mais antioxidantes, que protegem de doenças degenerativas e de doenças crônicas como o câncer. Tudo isto está disponível em alimentos orgânicos. O orgânico é vida, é respeito à biodiversidade”, enfatiza a professora.

Apesar de todos estes benefícios, segundo levantamento realizado pela Fundação Oswaldo Cruz, no Brasil, uma pessoa ingere cerca de sete litros de veneno por ano. Mas o que isto significa? Significa que é preciso ter muito cuidado com o que se está consumindo. Muitos pesquisadores comparam os agrotóxicos com o cigarro, mas apontam uma grande diferença entre os dois. O cigarro você compra e tem a opção, mesmo sabendo que lhe faz mal, de fumá-lo, ou não. Com o agrotóxico é diferente, você não tem direito de escolha e adoece sem perceber.

A notícia boa é que, segundo a pesquisa realizada pelo Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), 15% da população brasileira consome alimentos orgânicos e os três principais tipos são de verduras, legumes e frutas.  Assim como no Brasil, na região Sul também prevalece a venda e consumo de verduras, legumes e frutas. É nela também que se concentra o maior número de consumidores de alimentos orgânicos do país.

Como a população de Passo Fundo se comporta sobre o assunto?

Lauro Foschieira é um dos técnicos do Centro de Tecnologias Alternativas Populares que temos na cidade, o Cetap. Ele se orgulha em dizer no município temos Feiras Ecológicas, e que, uma delas, inclusive, completou 20 anos neste mês. Foschieira destaca que é perceptível o aumento na procura de alimentos orgânicos pela população passo-fundense e que isto é algo muito positivo. “Nós estimamos que na feira passe de 1 a 2% da nossa população. Temos quase 200 mil habitantes, então este número fica em torno de 1,5 a 2 mil pessoas. Se olharmos por este lado, percebemos que há um espaço enorme para a produção destes alimentos mais saudáveis, especialmente alimentos biodiversos”, destaca.

O coordenador do Cetap, Edson José Klein, explica que na região de Passo Fundo os agricultores têm como foco a feira. Segundo ele, os produtores buscam nos orgânicos um modo de vida, afinal este segmento muda o sistema interno de uma propriedade: “você precisa pensar no que vai ser posto na terra, qual a adubação que será feita, o que fazer com os resíduos, dentre muitas outras coisas”. Klein alegra-se ao comentar a diversidade presente no município e na feira: “Passo Fundo tem uma grande diversificação de produtos, temos grãos, hortaliças, frutas, legumes, tubérculos. A feira, muitas vezes, chega a oferecer mais de 150 itens”.

O Núcleo Planalto, localizado em Passo Fundo, segundo Klein, conta atualmente com 80 agricultores. Um desses produtores é Alceo Primel, de Santo Antônio do Palma, ele e mais dois irmãos cuidam da propriedade e produzem alimentos saudáveis. Primel conta que tudo começou em 1984 e que seus pais não aceitavam que nenhum tipo de agrotóxico fosse usado nos produtos. Desta forma, ele e seus irmãos buscaram uma alternativa, estudaram e visitaram diversas escolas técnicas para compreender como manejar o produto sem precisar de químicos. “Naquela época, nós ainda não sabíamos o que era agricultura orgânica e ecológica. Hoje estamos com uma boa produção e contamos com diversidade de alimentos. Nós erramos bastante, mas hoje temos uma propriedade totalmente ecológica com quase 70 variedades de alimentos”, explica Primel. O agricultor destaca que é possível sim produzir e transformar o alimento em algo saudável. Diz também que é preciso que haja mais sensibilização por parte de todos quando o assunto é alimento, afinal, a alimentação, hoje, é a base da nossa vida.

Destaque à agricultura familiar

Pesquisadores, entidades e agricultores apontam que a maioria dos produtores que trabalham com orgânicos são oriundos da agricultura familiar, em pequenas propriedades. Contudo, já existem os que produzem em larga escala, como é o caso da Fazenda da Toca. Localizada em São Paulo, ela conta com mais de 2 mil hectares de terra para a produção. Iniciativas como essa podem, à médio e longo prazo, baratear o custo dos orgânicos, popularizando ainda mais seu consumo.

Entretanto, a professora Claudia Petry observa que o preço do produto orgânico, em geral considerado alto pelo consumidor, não é caro, é justo, e questiona: “queremos pagar um salário justo para o agricultor, ou pagar para empresas que já ganham o suficiente e não oferecem um produto 100% orgânico?”. E continua, “quando pagamos ao produtor, pagamos para o desenvolvimento regional, para ele cuidar da terra. Por esse, motivo é necessário que haja consciência que o valor pago não é apenas para o produto, mas também para a saúde, sustentabilidade e um meio ambiente saudável”.

Reportagem produzida por Monalise Canalle, acadêmica de Jornalismo da UPF, integrante do Núcleo Experimental de Jornalismo.

Supervisora: Bibiana de Paula Friderichs

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