Economia

Comércio ainda não absorveu reajustes do gás

Autor: Caetano Bortolini Barreto
Comércio ainda não absorveu reajustes do gás
Foto: Caetano Barreto/DM

Com um aumento acumulado de 26,3% em um ano, empresários têm dificuldade de repassar o valor para seus produtos com medo de perder a clientela

A Petrobras reajustou nesta semana o preço do gás de cozinha (GLP) em 4,4%, aumento que passou a valer a partir de quinta-feira (5). Essa já é a terceira alteração no valor do GLP este ano, e representa aumento de 5,2%, se comparado ao preço praticado em dezembro do ano passado. O ajuste no preço vale para o gás residencial, vendido em botijões de 13 quilos, e também para o gás utilizado nas indústrias e comércio.

No caso do botijão de 13 quilos, foi o primeiro aumento desde que a periodicidade trimestral de reajustes foi implantada em janeiro, já que houve queda de 5% e em abril. Um levantamento feito com os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocomustíveis (ANP) apontou que o GLP era vendido na região pelo preço médio por R$ 56,68 em junho de 2017 e, um ano depois, está sendo comercializado pelo preço médio de R$ 71,6, o que representa um aumento de 26,32% em doze meses. Esse crescimento foi mais significativo no primeiro semestre do período pesquisado, quando registrou aumento de 19,37% no preço praticado pelas revendedoras.

A estatal informou que o reajuste ocorre devido à desvalorização do real frente ao dólar, que apenas entre março a junho foi de 16%, e o reajuste do preço do GLP no mercado internacional foi de 22,9% no mesmo período. O botijão P13, mais comum nas cozinhas residenciais, é reajustado a cada três meses, segundo a política implantada em janeiro deste ano para tentar suavizar o repasse das variações das cotações internacionais ao consumidor. Já os vasilhames maiores ou o GLP a granel é reajustado mensalmente. Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), essa manobra fez com que a diferença entre o preço do gás empresarial para o residencial chegasse a 57,52%, sendo que desse total, 25,45% seria somente o valor adicional cobrado pela Petrobras. “Na avaliação do Sindigás, esse ágio vem pressionando ainda mais os custos de negócios que têm o GLP entre seus principais insumos, impactando de forma crucial as empresas que operam com uso intensivo de GLP”, denunciou o sindicato, em nota.

Empresas estão comprometendo o lucro

Esses reajustes têm impactado não apenas nas indústrias e nas residências, mas também nos pequenos negócios. Marcos Vinícius da Silva, de 34 anos, administrador de uma padaria na Vila Rodrigues, alega que não está conseguindo reaver o aumento com os gastos: “A minha mãe trabalha aqui há 25 anos, e eu estou trabalhando com ela há um ano e dois meses, e desde que entrei a gente não reajustou nada. Precisamos muito. ‘Tô matando no peito’ tudo aqui”, desabafa. A empresa de Marcos é de pequeno porte, e utiliza em média dois botijões de 13 quilos por semana. “Não tem como colocar botijão maior aqui, pois a gente não tem área pra isso, os bombeiros exigem que se faça aquela casa para o gás,  em uma área externa”. Além disso, por conta das normas de prevenção de incêndio, é permitido somente uma pequena quantidade de botijões estocados no mesmo estabelecimento, o que impede o pequeno empresário de comprar quantidades maiores para estoque quando o preço estiver menor.

O gás de cozinha, assim como todos os combustíveis, também pode ter seu preço alterado devido a acontecimentos como a greve dos caminhoneiros, que ocorreu em maio deste ano, e durante dez dias comprometeu a distribuição de vários insumos, o que levou a escassez de gás e a elevação recorde do valor do botijão de 13 quilos, que chegou à ser comercializado acima dos R$ 80. Nessa época, Marcos alegou que conseguiu manter suas portas abertas, mas por pouco: “A gente chegou a utilizar o último botijão, mas daí um vizinho me ligou, avisando que tava passando um carro vendendo. Teve um momento que consegui apenas um botijão pequeno, e o vendedor compreendeu a situação e não superfaturou”, relembra o empresário, que confessa que conta com a ajuda de seus fornecedores para contornar a situação. “Tem um distribuidor que tá fazendo um preço camarada pra mim, mas ele já me disse que tá no último suspiro, tanto que já aceitei que esse preço eu não vou pagar mais e já calculo um valor a mais”, relata.

Assim como Marcos, muitos empresários têm mantido seus produtos sem reajuste, pois sabem que a realidade da economia brasileira não absorve uma alteração contínua nos preços: “Esse é o meu medo, porque hoje tu me diz que 50 centavos não é nada, mas se eu boto isso no valor do pastel, meus clientes viram as costas e vão embora. Eu tenho três funcionários, tenho aluguel, eu e minha mãe estamos nos sustentando aqui, então eu não posso nem pensar em mandar meu cliente embora”, conclui.

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