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Adeus de Clélia Fontoura Martins Pinto

Autor: Redação Diário da Manhã
Adeus de Clélia Fontoura Martins Pinto
Foto: Arquivo Pessoal

Grupo Diário da Manhã presta homenagens a uma das figuras primordiais e querida por todos. Filha do fundador, Túlio Fontoura, esposa do Presidente-Emérito, Dyógenes Martins Pinto e mãe da atual presidente, Janesca Maria Martins Pinto, Clélia faleceu na manhã dessa terça-feira (10) em Passo Fundo

Em quase uma hora de entrevista, Clélia Fontoura Martins Pinto não desfez seu sorriso em nenhum momento. As risadas sinceras reverberavam por toda a sala, enquanto a matriarca da família relembrava os tempos em que o jornal Diário da Manhã se consolidava como um dos mais importantes veículos de comunicação do interior do Estado. O contexto faz parte do clima de uma das últimas entrevistas concedidas por ela, em novembro do ano passado, para a construção do texto dos cadernos especiais de aniversário do Grupo. “Estamos produzindo o texto especial de 82 anos do Diário”, disse um dos jornalistas. “Eu estou quase lá”, completou Clélia, finalizando a frase com uma gostosa gargalhada. A idade, no entanto, é apenas um número diante do legado deixado por ela. Na manhã de ontem (10),  familiares, amigos, colaboradores do Grupo Diário da Manhã, autoridades e toda a comunidade receberam com pesar a notícia do falecimento de Clélia Fontoura Martins Pinto, aos 81 anos de idade.

Pouco depois da criação do jornal Diário da Manhã, nascia Clélia, em 17 de setembro de 1936, na pacata cidade de Passo Fundo. Filha única de Túlio Fontoura e Lucilla Lima Fontoura, dedicou boa parte de sua vida – 37 anos – à honrosa missão de ser educadora. Lecionou no EENAV e na Universidade de Passo Fundo, até se aposentar. Dentro da academia, é lembrada com carinho e admiração pelo exército de alunos que formou ao longo de todos esses anos. Em 1957, Clélia casou com Dyógenes A. Martins Pinto (in memoriam), e aos 22 anos a família começava a ser constituída com o nascimento do primeiro filho, Péricles Martins Pinto. Depois, vieram Vinícius Martins Pinto (in memoriam) e a filha caçula, Janesca Martins Pinto. Ao longo dos anos, a família cresceu ainda mais, com a chegada dos netos Túlio Pretto Martins Pinto e Guilherme Annoni Martins Pinto.

Além da sala de aula, dona Clélia também lecionou aulas de piano em sua casa, onde reunia cerca de quarenta alunos. Sua relação com a arte não era restrita somente à música, já que amava realizar trabalhos artesanais como o bordado.  Ao longo de três décadas, foi lapidando a técnica de bordar junto do tricô. Como cidadã, sempre esteve presente em ações sociais no município, trajetória na qual é consagrada por ser uma das criadoras do Bazar da Solidariedade do Lions Clube, que reúne artesãos de toda região com o objetivo de destinar receitas arrecadadas para a manutenção do Hospital de Olhos Lions Dyógenes A. Martins Pinto, instituição na qual teve participação na fundação.

Em uma das ocasiões em que também foi entrevistada, em meados de 2016, Clélia afirmou que “faria tudo de novo” ao relembrar sua trajetória de vida. Pró-ativa, autêntica e de personalidade ímpar, a “mãe coruja” valorizava momentos simples ao lado da família. Na ocasião, ao ponderar a respeito de seu próprio legado, nem sequer exitou na resposta. “Eu acho que eles [netos] vão levar de mim boas lembranças, por que eu adoro eles e quero muito que eles estudem, tenham caráter e que trabalhem. Eu sempre digo, não precisa ser doutor, tem que ter dignidade”, destaca. “Eu acho que a tua paz, tua consciência no dia a dia é muito importante. Eu acho que poder ajudar alguém é tão importante, é gratificante. Porque passar por essa vida e não deixar nada, não valeu a pena viver”.

Frases carregadas de sabedoria e repercutidas, agora, pelo neto e Diretor Executivo do Grupo Diário da Manhã, Túlio Pretto Martins Pinto. “O que prevalece é a questão dos valores que ela passou para a gente. Honestidade e trabalho são os principais conceitos que norteiam a nossa família. O aprendizado que fica é desse trabalho duro dela e do meu avô, durante todo o tempo, mas principalmente, fica o legado dela ser uma pessoa pura, sem máscaras. Todo mundo que ela conquistava fala desse jeito único de ser e encarar a vida. O ensinamento que eu levo para mim é viver a nossa própria essência, assim como ela viveu”, ressalta. “A vó Clélia é daquele tipo de pessoa que nós nunca imaginamos que irá partir, por ter um modo ímpar de levar a vida. A família está de luto, mas com lembranças maravilhosas que ficarão para sempre”. 

Amigas de anos

Celina Madalosso, Maria Augusta Tagliari, Evanil Angonese, Rovena Moura, Janesca Martins Pinto, Clélia Fontoura Martins Pinto, Nipe Machado, Claudia Moura, Vania Basegio, Ilania Martins Pinto, Odilia Grazziotin Nehls, Tiza Ródio, Cleci Falcão, Bariba Brizola e Telma Lima, se reúnem há mais de 15 anos para comemorar aniversários, festas de Natal e outros momentos festivos de suas vidas. Conforme relato de Ilânia, nora e mãe de Túlio um dos netos de Dona Clélia, ela era a que sempre organizava o grupo para o encontro “Com sua simplicidade e simpatia alegrava a todas nós”.

Já Bariba ao falar sobre Dona Clélia se emociona, afirmando as marcas que deixa neste mundo, além da imensa saudade. “Falar, lembrar e amar imensamente Tia Clélia, é o mínimo. Pessoa maravilhosa, bondosa, sempre alegre e disponível. Posso dizer com o coração em lágrimas, uma lacuna muito grande na vida de todos nós. Os momentos que tive o privilégio de conviver com esta pessoa incrível, estarão para sempre na minha memória, uma verdadeira mãe de coração. Um dia tenho certeza que vamos nos encontrar”, finaliza ela.

Mãe de coração

Diretora Comercial do Grupo Diário da Manhã, Eliane De Bortoli conviveu por mais de 37 anos ao lado de Dona Clélia. “Minha história com a Dona Clélia começou em 1981, quando fui recebida em sua casa para cuidar do Vinícius. Quando cheguei ela abriu a porta, me olhou nos olhos e disse ‘Mas esta moça tem que trabalhar no jornal’”. E foi assim que os caminhos de Eliane se cruzaram com a família. Pouco tempo depois, começou a fazer parte da equipe Diário da Manhã.

Eliane relata que Clélia e Dyógenes tinham uma forma carinhosa de olhar para as pessoas que vinham do interior para trabalhar na cidade. “Mesmo quando surgiram oportunidades de deixar o jornal, Dona Clélia me dizia ‘Mas minha guria, o teu lugar é aqui’”, conta.

Dona Clélia, como lembra Eliane, era muito presente na vida das pessoas, no jornal e em cada coisa que ela fazia, cuidando de cada detalhe. “Lembro uma vez que ela fez uma viagem e trouxe diversos enfeites de Natal que temos até hoje. O jornal ficou lindo, parecia realmente o lugar que o menino Jesus ia nascer de tão bonito. Para mim ela foi um exemplo, a forma que tratava as pessoas, como se vestia, como trazia bom humor e como unia as pessoas”, relembra.

Como um porto seguro, Eliane encontrou um novo lar em Clélia e sua família. E assim, deixou sua marca eternizada. “Eu fui apreendendo a gostar dela de uma forma como se fosse minha mãe daqui de Passo Fundo. E foi por esses 37 anos que pude conviver ao seu lado” finaliza.

União pela música

O amor de Clélia pela música também serviu de melodia para embalar amizades fortes e duradouras, como é o caso da amiga, Reny Dozza, de 84 anos. Ambas se conheceram em Carazinho, nos tempos de escola, onde os laços afetivos perduraram ao longo de toda a vida. “Depois de muitos anos, nós nos encontramos aqui em Passo Fundo no instituto de Belas Artes, onde ela era professora de Teoria Musical. Então são essas lembranças, dela bastante jovem, depois casada e com filhos assim como eu. Permanecemos sempre colegas e amigas. A gente se encontrava pouco, mas quando nos víamos eram uma alegria muito grande. Era muito amiga, querida, alegre, inteligente e musical. As alunas tinham verdadeira loucura por ela, por aquele jeito único”, lembra. Como legado, Reny elenca o brilho nos olhos de Clélia pela arte e pela vida. “Inteligentíssima. Uma mãe maravilhosa, dona de um senso de humor maravilhoso, lembranças de ficarão para sempre em meu coração. Gostaria de prestar minhas condolências à toda a família em que a tristeza toma conta de nossos corações”, rememora.

Editada para acréscimo de informações às 9h26

  • Fotos: Arquivo Pessoal
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