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Aumento do valor do leite reflete pouco ao produtor

Autor: Matheus Moraes
Aumento do valor do leite reflete pouco ao produtor
Foto: Matheus Moraes / DM

Com margem de lucro ainda considerada pequena, produção de laticínios se encontra em fase de recuperação após perda de produtividade no primeiro semestre e desistência de produtores da região

O leite foi um dos principais produtos que teve seu preço elevado neste ano. O último levantamento da cesta básica municipal do Centro de Pesquisa e Extensão da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade de Passo Fundo (CPEAC/UPF) apontou que o alimento do tipo C foi o que mais aumentou na cesta básica de junho para julho, em Passo Fundo, com crescimento de 15,4%. Já o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) registrou um aumento de 4,3% no leite integral no mesmo período em todo o país. Numa análise dos últimos 12 meses, o leite integral apresenta um aumento 7,4%.

A questão é que o valor que chega até o balcão de supermercados ainda é superior à proporção do que o responsável pela produção leiteira ganha de margem do volume vendido. Se nos supermercados, os produtos são encontrados com valores entre R$ 2,99 e R$ 3,50 – variando de desnatado para integral -, os produtores conseguem vender o litro do leite por R$ 1,20 até R$ 1,30, de acordo com o Sindicato Rural de Passo Fundo.

Apesar da realidade ser mais favorável que no ano passado, quando muitos produtores de leite vendiam a quase preço de custo, a margem ainda é considerada pequena pelo produtor Gelson Soares, da comunidade da Bela Vista. “O aumento foi pequeno, muda pouca coisa. O consumidor está pagando mais do que o produtor está recebendo. Até onde veio a margem, chegou a R$ 0,30 centavos, quase 40 centavos. Nós trabalhamos há um ano e meio no preço de custo, quase no vermelho”, afirma.

Segundo o fabricante do interior de Passo Fundo, o que pesa na no fim das contas é o aumento de custo de produtos utilizados na produção leiteira. “É um valor mínimo, ainda mais se considerarmos os valores de outras ferramentas que custam muito. Hoje, se fizermos a conta, os insumos aumentaram em 40%. Fiz essa pastagem de inverno num custo muito alto, que foi quase inviável. O mês de julho, ainda não recebemos, não sabemos qual vai ser o giro e se vai ter. Estamos tentando remar contra uma maré ruim”, declara Soares.

O proprietário produzia, em anos anteriores, de 800 a 850 litros de leite por dia. Atualmente, em razão de custos e do pouco giro que recebe, a quantidade produzida é de 620 a 630 litros diários, com a mesma quantidade de vacas. No entanto, a realidade de diminuição de produção não ocorre só para ele. “A produção em geral não está boa. Nós conversamos quase que diariamente com os freteiros, eles comentam que a situação está ruim. Pra mim deu uma queda, em média, de 200 litros por dia. Achei que era só minha, mas não”, completa. Segundo Soares, a linha dos freteiros, que passa pela região leiteira do Norte do Estado, que antigamente coletava cerca de 12 mil litros por dia, esse ano está pegando cerca de 2 mil litros de leite, um déficit de produção de 10 mil litros.

A menor produção se deve, também, a um problema econômico para os produtores e que fizeram com que muitos desistissem da atividade: a greve dos caminhoneiros, no fim de maio. De acordo com o Sindicato Rural de Passo Fundo, a região Norte do RS, distribuída pelos municípios de produção leiteira como Colorado, Seberi, Carazinho, Marau, Rondinha, entre outros, perdeu 17% dos produtores rurais neste ano, em razão da grande perda de produtividade durante a manifestação.

Sindicato pediu repasse maior das empresas aos produtores

O presidente do Sindicato Rural de Passo Fundo, Jair Dutra Rodrigues, relata que o valor de arrecadação para o produtor subiu de R$ 0,20 a R$ 0,30 centavos por litro com o aumento do valor total do leite. Segundo ele, o produtor ganhava R$ 0,90 centavos por litro. Com a alta do produto, o valor passou para em torno de R$ 1,20 por litro. A entidade entrou em conversas com empresas que comercializam o produto para solicitar uma margem maior de retorno aos produtores. “Nós pedimos um repasse de valores maiores. Mas afirmaram que é uma questão de mercado, que ainda entra muito leite do Uruguai e não poderia colocar mais para o produtor, que já tinha aumentado. Na verdade, o que contribuiu para aumentar o valor foi a greve dos caminhoneiros. Ali, muitos produtores colocaram leite fora, desistiram da atividade. O produtor desistindo diminuiu o mercado, junto com a quantidade de leite, e assim o preço subiu”, declara.

Fase de recuperação no mercado

De acordo com o presidente do Sindicato, Jair Rodrigues, o momento dos produtores de leite é de recuperação. Após um primeiro semestre difícil, com grande perda de volumes de leite na greve dos caminhoneiros – no caso de Gelson, acima, foi 33% de leite perdido –, os trabalhadores estão conseguindo, pelo menos, se manter. “O valor subiu, ainda é abaixo do que o consumidor recebe no mercado. Hoje o produtor não está mais tendo prejuízo. Antes da greve, o valor não cobria o custo do produtor. Hoje, com R$ 1,20 por litro, já começa a cobrir o custo e até sobrar alguma coisa. Mas também aumentou o custo, ainda mais pela greve. Então, consideramos uma fase de recuperação. O preço ainda poderia estar melhor, com R$ 1,60 por litro, por aí. O produtor precisa de uma margem de lucro para continuar investindo em tecnologia para a ordenha. É algo que deve acontecer”, conclui.

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